Os funcionários públicos continuam a perder poder de compra. Em janeiro deste ano, a remuneração base média mensal bruta, que exclui subsídios ou complementos, subiu, em termos homólogos, 4,5% ou 70 euros de 1549,6 euros para 1619,6 euros, quando deveria ter crescido 7,8% ou 120,9 euros para 1670,5 euros para compensar a inflação média anual de 7,8%, registada em 2022. Há, por isso, uma quebra real média mensal dos ordenados de 51 euros ou de 3,3%, segundo as contas do Dinheiro Vivo com base nos dados da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) publicados esta segunda-feira..As estatísticas da DGAEP têm já em conta o aumento salarial nominal de 52,11 euros pago no início do ano todos os funcionários públicos com vencimentos mensais brutos até 2612,03 euros ou de 2% para ordenados superiores assim como as valorizações de carreira que deram mais 52,11 euros, num total de 104,22 euros, aos assistentes técnicos, técnicos superiores e aos assistentes operacionais com mais de 30 anos de serviço. As contas do gabinete de estatística também estão atualizadas relativamente à subida do salário de entrada no Estado que passou para 761,58 euros, descolando-se assim da remuneração mínima de 760 euros..Porém, ainda não reflete o efeito do aumento salarial adicional de 1% para todos os funcionários que vai começar a ser pago este mês com retroativos a janeiro. Por essa via, também a Base Remuneratória da Administração Pública (BRAP) vai dar mais um salto dos atuais 761,58 euros para os 769,2 euros..Nos primeiros três meses do ano, o emprego no setor das administrações públicas situou-se em 745 642 postos de trabalho, um novo máximo desde 2011, o início da série contabilizada pela DGAEP. Assim, e em relação à década anterior, há mais 17 941 trabalhadores no Estado, o que corresponde a um aumento de 2,5%..Ainda assim, o crescimento do emprego público no último ano e face ao trimestre anterior, de outubro a dezembro de 2022, tem abrandado: em termos homólogos, subiu apenas 0,7%, o que se traduz em mais 4 942 postos de trabalho; e, comparativamente com o final do ano, subiu 0,5% o que dá mais 3 448 funcionários públicos..O aumento anual, de 0,7%, resulta sobretudo do reforço na administração local, com mais 4548 postos de trabalho, que, em conjunto com a variação positiva nas administrações regionais, mais do que compensou a variação ligeiramente negativa na administração central, que registou menos 252 postos de trabalho, segundo a DGAEP. Nas autarquias, o aumento de emprego face ao ano anterior teve origem, fundamentalmente, nos técnicos superiores, categoria para a qual foram contratados 1 176 trabalhadores e nos representantes do poder legislativo, que registou uma subida de 1130 postos de trabalho..Já a administração central perdeu 2153 postos de trabalho nas Forças Armadas, mas ganhou 1469 funcionários públicos, sobretudo docentes do ensino superior com contratos a termo, nas Unidades Orgânicas de Ensino e Investigação, e mais 714 agentes das Forças de Segurança, nomeadamente guardas da GNR..Salomé Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo