Saiba toda a verdade sobre os envelopes

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Houve um que agradeceu aos pais, outro a um tio e outro ainda aos olhos azuis da mulher. Em vão. Geralmente, não gosto da subida ao palco dos laureados do Óscar. Só de uma, quando o Roberto Benigni chegou saltando com os pés sobre o encosto das cadeiras. A vida era bela e ele fazia de palhaço, de faz de conta como é próprio no cinema. Agora, palavras íntimas, lançadas ao mundo, incomodam-me vindas do Boulevard Hollywood, onde nada é terno: afinal, a cerimónia é no Dolby Theatre, que se chamava teatro Kodak, mas já não, pois esta faliu. Hollywood não é terra para palavras íntimas. E é mais notório ainda naqueles prémios em que sobe uma multidão ao palco, todos iguais mas uns, mais do que outros, podendo agarrar a estatueta e debitar a lista de entes queridos. Mas, desta vez, os felizardos foram os sem direito de falar nos olhos pretos da mulher... Afinal, não tiveram de chegar envergonhados a casa e explicar-se (ou, pelo menos, sem explicar-se tanto quanto o da mulher de olhos azuis) que foi tudo um engano. Deviam estar prevenidos: Faye Dunaway gritou "La La Land"! Pode ser nome de filme, mas também é "LA", duas vezes, diminutivo de El Pueblo de Nuestra Señora la Reina de los Angeles del Río de Porciúncula, isto é, o nome completo de Los Angeles, capital das tretas. Há agora muitas versões da troca de envelopes. Tenho outra: Faye Dunaway e Warren Beatty festejavam os 50 anos do Bonnie and Clyde e fizeram o seu último assalto.

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