Saco azul da petrolífera Elf financiou partidos franceses

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Desvio de fundos, enriquecimento pessoal, financiamento de partidos e compra de influências políticas. A fraude na antiga petrolífera estatal francesa Elf, entre 1989 e 1993, ascendeu a mais de 350 milhões de euros e o escândalo ameaçou a reputação da elite francesa, ao pôr em causa homens próximos de líderes como Jacques Chirac e François Mitterrand.

Mas no final do julgamento, em 2003, apenas os antigos directores da companhia foram condenados. O único elemento ligado ao Go-verno a ser considerado culpado foi um antigo ministro dos Negócios Estrangeiros. Roland Dumas acabou, contudo, por ser mais tarde ilibado das acusações, dizendo não saber que os presentes da sua amante, uma modelo ao serviço da Elf, eram subornos.

As investigações a eventuais ramificações políticas foram sendo bloqueadas por vários go-vernos, que invocaram a segurança do Estado para impedir os interrogatórios. Contudo, durante o julgamento, o ex-presidente da petrolífera, Loïk Le Floch Pringet, confirmou a existência de um saco azul destinado a financiar partidos políticos, de direita e de esquerda. "O dinheiro partia em luvas para África e regressava a França para financiar os políticos", nomeadamente "candidatos à Presidência da República".

Já nas décadas de 60 e 70, a Elf pagava comissões "secretas" a líderes africanos com o apoio do Governo francês. Mas terá sido durante a liderança de Pringet, nomeado por Mitterrand em 1989, que a empresa foi mais longe as ofertas já não serviam só para garantir negócios ou manter relações amistosas com os regimes.

Os tentáculos da Elf terão também ajudado a financiar na Alemanha, em 1992, a União Democrata Cristã, liderada por Helmut Kohl. Em troca a Elf terá conseguido comprar a refinaria Leuna. Diz-se ainda que Mitterrand, sabendo da queda nas sondagens do pai da unificação alemã, o terá tentado ajudar com milhões de francos, oriundos da Elf.

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