A Rússia e a Ucrânia acusaram-se ontem mutuamente de provocar confrontos em Kherson, depois de um vídeo partilhado nas redes sociais mostrar combates no centro da cidade ucraniana ocupada no início do conflito. Há semanas que Kiev está numa contraofensiva para recuperar o controlo de toda esta região no sul do país. Numa altura de reveses no terreno para Moscovo, os Serviços de Informação de Defesa britânicos alertam para o risco de aumento dos ataques russos a infraestruturas civis "na tentativa de minar a moral do povo e do governo ucraniano".."No centro de Kherson houve um confronto entre unidades do exército russo que patrulhavam as ruas da cidade e um grupo não identificado", afirmou a administração da ocupação russa no Telegram. "Depois de um rápido combate, os agressores foram eliminados", acrescenta a mensagem, segundo a qual nenhum soldado russo ou civil foi ferido..O meio de comunicação estatal russo Vesti publicou um vídeo no sábado à noite que mostrava dois veículos blindados, cercados por soldados, próximos da estação ferroviária da cidade. Um dos blindados abre fogo e são ouvidos tiros..Os militares ucranianos alegam contudo que o incidente foi "encenado" pelos russos para "acusar a Ucrânia de atos de guerrilha urbana". O Comando Operacional do Sul indicou que "as tropas russas estão a disparar nas ruas da ocupada Kherson para culpar as tropas ucranianas e alegar que Kiev está a pôr em risco a vida dos civis"..No relatório de ontem, a secreta militar britânica diz que "nos últimos sete dias a Rússia aumentou os bombardeamentos [com mísseis de longa distância] contra infraestruturas civis", mesmo em áreas onde não tem "um efeito militar imediato". Um exemplo foram os ataques contra a rede elétrica ou à barragem no rio Inhulets, que causou alagamentos na cidade natal do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Kryvyi Rih..Os britânicos alertam ainda: "À medida que enfrenta reveses nas linhas de frente, a Rússia provavelmente alargou os locais que está preparada para atacar na tentativa de minar diretamente a moral do povo e do governo ucraniano.".Twittertwitter1571373728008736769.Por seu lado, o general norte-americano Mark Milley, chefe do Estado-maior conjunto, durante uma visita às tropas dos EUA na Polónia, avisou que é preciso manter a vigilância. "A guerra não está a correr muito bem à Rússia neste momento. Por isso cabe-nos manter altos estados de prontidão e alerta", afirmou em Varsóvia, indicando que não se sabe como os russos podem reagir aos reveses no terreno. "Na conduta da guerra, não sabemos com um alto grau de certeza o que acontecerá", referiu..O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se ontem pessimista em relação a um rápido fim do conflito. "Os russos e os ucranianos acreditam que podem ganhar a guerra. Não vejo qualquer possibilidade, a curto prazo, de uma negociação séria", disse numa entrevista à RFI, admitindo que o objetivo agora é procurar alternativas para atenuar as consequências de uma guerra que deverá durar muito tempo..Com AFP.susana.f.salvador@dn.pt