Rússia considera que sentença da justiça alemã sobre cidadão russo é "política"

Em causa está a condenação a prisão perpétua decretada por um tribunal alemão a um cidadão russo acusado de ter assassinado um antigo rebelde checheno em Berlim.
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A embaixada da Rússia na Alemanha considerou "política" a condenação a prisão perpétua decretada por um tribunal alemão a um cidadão russo acusado de ter assassinado, a mando de Moscovo, um antigo rebelde checheno em Berlim.

"Consideramos que o veredicto não é objetivo, mas sim uma decisão política que prejudica seriamente as relações russo-alemãs, que são, já em si, difíceis", reagiu Serguei Netchaev num comunicado publicado no portal da missão diplomática russa na Alemanha.

"Esta questão deixa-nos profundamente preocupados e, por si só, representa um ato obviamente hostil que não ficará sem resposta", ameaçou, sem especificar.

Um tribunal de Berlim condenou esta quarta-feira (15 de dezembro) a prisão perpétua um cidadão russo de 56 anos pelo assassínio, em agosto de 2019, de um exilado georgiano, supostamente a mando de Moscovo, caso que criou tensões entre a Alemanha e a Rússia.

O tribunal considerou que Vadim Krasikov, também conhecido por Vadim Sokolov, assassinou a 23 de agosto de 2019 o georgiano Tormike Kavtarachvili, de 40 anos, que, como refugiado, tinha chegado à Alemanha em 2016. O crime foi cometido durante o dia em Tiergarten, no centro da capital alemã.

Na sentença, os juízes do tribunal, que começaram a julgar o caso em outubro de 2020, negaram a possibilidade a Krasikov de sair em liberdade condicional nos próximos 15 anos.

O autor dos disparos circulava numa bicicleta e, refere-se na sentença, agiu, entre outros motivos, por "ganância", tendo, durante o julgamento, ficado comprovado que o assassino atuou "a pedido de posições estatais da Federação Russa", cujo objetivo era "eliminar um inimigo de Moscovo, oriundo da república autónoma da Chechénia e do governo pró-russo da Geórgia".

Para o Kremlin, Kavtarachvili era um "terrorista" que combateu na guerra na Chechénia ao lado dos rebeldes entre 2000 e 2004 e que, posteriormente, integrou as forças de segurança georgianas.

As autoridades de Moscovo sempre negaram as alegações.

Netchaev sustentou que a "tese absurda" de envolvimento da Rússia no assassínio foi "metodicamente imposta ao público" ao longo do julgamento e "faz parte de um contexto geral de russofobia".

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