Rumo ao Algarve. Mesmo cara, a A2 é a via mais escolhida

Regresso ao IC1 nos anos de crise não destronou a autoestrada do sul. Dos 40 mortos em acidentes em agosto de 2015, só um foi na A2
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Quase um milhão de portugueses (839,640) usaram a autoestrada do Sul para rumar ao Algarve durante o mês de agosto do ano passado, referem dados da Brisa avançados ao DN. Hoje, no início da peregrinação anual balnear, será essa a via rodoviária mais escolhida apesar de uma tendência que houve nos anos de crise de um regresso ao Itinerário Complementar nº1 (IC1).

"Dos 40 mortos que se registaram em agosto de 2015 em acidentes rodoviários nas várias estradas do país, apenas um aconteceu na A2", afirmou o capitão Ricardo Silva, porta-voz do comando geral da GNR.

A comparação do tráfego entre esta via e a A2 é abissal. Em agosto de 2015, na velhinha via que integra as estradas nacionais 5 e 10, circularam 21.599 automóveis, segundo dados avançados pela Infraestruturas de Portugal ao DN. Em agosto de 2014 esse número foi superior: 22.771 (dados registados no troço junto à Marateca e no de de S.Bartolomeu de Messines e Guia, já no Algarve). Na autoestrada do sul a média diária de tráfego em agosto de 2015 foi de 28.000 carros. Mais do dobro do tráfego médio diário no ano inteiro, que foi de 14 mil veículos. Pela A2, uma família que parta de Lisboa na direção de Albufeira, por exemplo, percorre 257 quilómetros em três horas, gastando 41,90 euros em combustível e portagem. Pelo velhinho IC1, a viagem fica mais longa: 273 quilómetros, percorridos em 5h30 mas com a vantagem de se gastar apenas 27 euros (sobretudo em combustível), segundo uma pesquisa no Via Michelin.

O comandante da Unidade Nacional de Trânsito da Guarda, coronel Gabriel Barão Mendes, admite que "nos últimos anos registou-se um aumento do tráfego viário no IC1 em detrimento da A2" na hora rumar ao Sul. Mas o regresso à A2, que se notou bem no Verão passado, está a acompanhar uma certa ideia de que o pior da crise económica passou. "Pouco a pouco os níveis de uso da autoestrada estão a atingir os de outros tempos", admite o comandante.

Questionado sobre a melhor via para ir até ao Algarve, o oficial da GNR responde que "a autoestrada é, definitivamente, uma via mais segura e rápida para se chegar ao Sul". Em agosto de 2015, em toda a extensão da A2, houve 50 acidentes, apenas um morto e ainda dois feridos graves e 16 ligeiros. "Mas a autoestrada do Sul apresenta um constrangimento, aparentemente ponderado pelos condutores: o custo das portagens, razão a que atribuímos a opção pela alternativa IC1", nota o coronel Barão Mendes.

Ultrapassagens no IC1

Com a maior utilização da antiga via, regressaram alguns choques frontais ao IC "que tiveram origem em manobras de ultrapassagem mal calculadas ou executadas sem os devidos cuidados", sublinhou o comandante da Unidade Nacional de Trânsito. De 1 de janeiro a 27 de julho, no distrito de Setúbal, no IC1 e nas nacionais 5 e 10, houve 221 acidentes com 224 mortos, 2 feridos graves e 79 ligeiros. "O IC1 é uma infraestrutura com duas vias de tráfego de sentido inverso, onde as ultrapassagens com invasão da via de sentido contrário é frequente, razão porque se pede cautela e que se espere pelos troços que possuem duas vias ". O excesso de velocidade e o álcool são as infrações mais detetadas. Em agosto de 2015, a Guarda detetou 17.012 em excesso de velocidade e 3060 condutores com excesso de álcool no sangue.

Nas estradas estarão 1100 militares da GNR por dia, distribuídos nas vias que levam ao sul do país: A2, IC1, AE22 e EN125.

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