Os brasileiros andavam a estranhar a falta de polémicas em redor da selecção brasileira. Agora, a polémica chega até ao topo da hierarquia do país, envolvendo uma das maiores estrelas da "canarinha", o atacante Ronaldo, e o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva..Tudo começou com as declarações do presidente brasileiro, Lula da Silva, sobre o "excesso de peso" de Ronaldo, que provocaram resposta do jogador do Real Madrid. Na noite da última quinta-feira, Lula conversou com o assistente da selecção, Mário Zagalo, e com o técnico Carlos Alberto Parreira, em conversa transmitida pela televisão. Lula, com o seu jeito franco, perguntou a Parreira se Ronaldo estava realmente gordo. Parreira respondeu que Ronaldo não era mais tão jovem e, portanto, havia "encorpado" e "estava forte, não gordo"..O atleta não gostou dos comentários. Ao ouvir a conversa, declarou em seguida a jornalistas brasileiros, na Alemanha: "Todo o mundo diz que o presidente bebe pra caramba. Tanto é mentira que eu sou gordo como deve ser mentira que ele bebe pra caramba", disse o jogador, referindo-se ao alegado alcoolismo de Lula da Silva, história já publicada até no The New York Times. .Toda esta situação provocou forte rebuliço no Brasil, uma vez que o facto envolve o presidente da República. Na última Copa do Mundo, houve um evento similar, quando perguntaram ao então presidente Fernando Henrique Cardoso se ele tinha alguma sugestão para a selecção e este respondeu que Romário deveria ser convocado. Sabe-se o desfecho da história: Luiz Felipe Scolari, "Felipão", manteve Romário de fora e ganhou a Copa do Mundo. Para Felipão, o estilo de Romário - de se aplicar somente na hora de atacar e não ajudar no sistema defensivo - era incompatível com o ambiente da selecção. E o certo é que o treinador levou a melhor sobre o presidente da República.. Agora, Lula é um grande aficcionado do futebol - torce pelo Corinthians - e não se coíbe de dar palpites sobre o tema. Aliás, com o seu estilo popular, Lula é criticado por fazer comentários sobre os assuntos mais diversos. Após a morte de João Paulo II, o presidente brasileiro chegou a dizer que seu candidato a papa era o cardeal de São Paulo, D. Cláudio Hummes, o que levou o cardeal do Rio, D. Eusébio Scheidt, a afirmar que Lula não era católico, "mas caótico".. No "escrete", os outros jogadores tentam desvalorizar o assunto: "Isso [a gordura de Ronaldo] não interessa a ninguém. Já levam três anos falando dessa tonteria", reagiu o médio Kaká, do AC Milan, na conferência de imprensa de ontem.