Robôs inteligentes na Universidade do Minho

Um grupo de portugueses da Universidade do Minho desenvolveu, no âmbito de um consórcio europeu, robôs que podem interagir com seres humanos de forma bastante flexível. Para realizar uma tarefa em conjunto com um parceiro humano, esses robôs podem antecipar o que a pessoa vai fazer, observando os seus gestos. E não deixam passar erros em branco
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Chamam-se Arus, Dumbo e Jumbo, falam, vêem e, embora de forma rudimentar, também pensam. E com todas estas capacidades conseguem interagir com um parceiro humano para, em conjunto com ele, cumprirem uma tarefa muito bem delimitada. Por exemplo, construir um brinquedo, uma avião de madeira, ou um barco, a partir de uma vintena de peças.

Arus, Dumbo e Jumbo são três robôs desenvolvidos na Universidade do Minho, no âmbito de um consórcio europeu, e constituem já um vislumbre do que vai ser a robótica inteligente do futuro.

"Talvez dentro de dez anos já existam robôs capazes de interagir, por exemplo com idosos, e não apenas para cumprir determinadas tarefas em casa, mas com a possibilidade de se adaptarem a uma interacção cognitiva com as pessoas", diz Wolfram Erlhagen, que coordena na Universidade do Minho esta investigação. Mas, sublinha, "isto é uma estimativa. Há muitos grupos a trabalhar nisto, nesta altura, e há um mercado para esse tipo produtos que também estimula estas investigações".

Mas isso é o futuro. O presente passa ainda por trilhar o caminho até lá, e é nessa aventura que o grupo da Universidade do Minho está, desde há anos, empenhado.

O projecto JAST, para o desenvolvimento destes robôs interactivos, iniciou-se em 2004, mas foi já a "sequência natural de um outro projecto europeu de robótica", como explica ao DN Wolfram Erlhagen. O JAST terminou exactamente há dois dias - "acabámos de fazer a sua avaliação na Alemanha, com todos os parceiros, diz o coordenador da equipa portuguesa - ,e o resultado são três máquinas que conseguem de facto interagir com uma pessoa para levar a bom termo um tarefa conjunta.

Na última fase do projecto, os investigadores testaram as máquinas com 16 voluntários que nunca tinham interagido com robôs, para verificar a sua flexibilidade, ou seja, a sua capacidade de adaptação a formas de funcionamento diferenciadas.

"Houve pessoas que quiseram testar a inteligência do robô e, então, introduziram propositadamente erros no desempenho da tarefa para ver como ele reagia", conta divertido Wolfram Erlhagen. Mas o certo é as máquinas conseguiram adaptar-se a estas artimanhas. Detectado o erro, o robô propunha em alternativa o procedimento correcto. E para cada um dos 16 voluntários os robôs tiveram respostas adaptativas específicas. "Isto, a nível de robótica já é bastante complexo, porque demonstra grande maleabilidade na interacção", explica o investigador.

O que se segue passará justamente por aumentar esta flexibilidade."Temos os robôs e vamos trabalhar nisso", diz Erlhagen. Aprendizagem e auto-aprendizagem são as palavras-chave para esse trabalho nos próximos anos.

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