Rio quer PSD umas vezes "mais à direita" e noutras "mais à esquerda"

O presidente reeleito do PSD, Rui Rio, abriu esta noite os trabalhos do 39º congresso nacional do PSD, em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro
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O PSD vai-se apresentar aos eleitores como sendo de centro, às vezes com um "perfil mais à direita" e noutras "mais à esquerda" - mas "sem subscrever a tese do fim das ideologias", afirmou esta noite Rui Rio, discursando, em Santa Maria da Feira, na abertura do 39º congresso nacional do PSD.

Reclamando-se da "social-democracia", mas sabendo que "ser-se social-democrata em 2022 não é o mesmo que tê-lo sido há 50 anos", Rui Rio rejeitou programas políticos assentes num "tecnicismo despedido de ideologia e de preocupação com a pessoas" ou soluções "liberais" que "minimizam e desprezam o Estado".

Assim, acrescentou, a referência continua a ser a mesma: "Aquele que mais me inspira é o que sempre mais me inspirou é o mesmo de sempre, Francisco Sá-Carneiro", "um farol para todos os sociais-democratas".

Rio salientou que os últimos dois anos à frente do PSD foram "marcados por sucessivos êxitos eleitorais" do PSD, nomeadamente devido à reconquista da duas regiões autónomas, com a vitória em Lisboa e, genericamente, nas autárquicas, com o facto de se ter "reduzido praticamente a metade" a distância para o PS em termos de presidências de câmaras.

As autárquicas - disse ainda - provaram que o PSD é ainda um "partido profundamente enraizado na sociedade portuguesa", devendo portanto, nas próximas autárquicas, ambicionar passar à frente do PS e reconquistando a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP).

Rio apresentou este congresso como um "passo importante" do partido para "a vitória em 30 de janeiro" - ou seja, estabeleceu que o objetivo eleitoral do PSD para as legislativas é agora claramente vencer as eleições.

O presidente reeleito do PSD aproveitou ainda este discurso de abertura do 39º congresso para criticar duramente o "imobilismo" do PS, elegendo três áreas de governação: descentralização; Justiça; e reforma do sistema político.

Para todas estas áreas prometeu uma ação "reformista" ou mesmo de "rutura" e a "coragem" de "enfrentar interesses corporativos" sempre que estes se "sobreponham ao interesse geral" - "uma coragem que o PS nunca teve e que o PSD vai ter".

"É importante ter a coragem de afrontar os interesses individuais e corporativos, sempre que estes se estejam a sobrepor àquilo que, em cada momento, possa ser o interesse global da sociedade. É essa coragem que o PS nunca tem. É esta a coragem que nós temos e que estamos prontos a assumir", disse, quanto às reformas que exige no setor da Justiça, no seu entender um dos setores da vida pública onde "mais se sente o imobilismo" do PS ("o PS tudo sempre fará para que sistema permaneça imutável", disse).

"Quando a degradação é visível, é um ato de irresponsabilidade não estar disponível para fazer uma rutura. Porque só com uma rutura podemos rasgar novos horizontes", acrescentou.

Sobre a descentralização afirmou que "o centralismo é um dos maiores falhanços do pós 25 de Abril" e, mais uma vez, responsabilizou diretamente os socialistas: "O PS enche a boca com a descentralização, faz discursos inflamados para agradar a quem reclama um País territorialmente justo e equilibrado, mas, na hora da verdade, os socialistas são sempre iguais a eles próprios. Na hora da verdade, o PS mete o rabo e o discurso entre as pernas e não tem coragem para honrar a sua própria palavra."

Na reforma do sistema político, voltou a prometer que o PSD insistirá numa ideia de "redução moderada" do número de deputados com fragmentação dos círculos eleitorais maiores e reforço dos mais pequenos. Voltou também a exigir soluções com "maior isenção" para a escolha do presidente do Tribunal Constitucional ou do governador do Banco de Portugal.

Findo o discurso, os congressistas iniciaram a discussão das 12 moções setoriais apresentadas. Nos bastidores do congresso, já se sabe que os setores que nas diretas estiveram com Paulo Rangel não se foram capazes de unir para apresentar uma lista única ao Conselho Nacional (o "parlamento" do partido e órgão máximo entre congressos).

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