Rio de Janeiro tem primeiro guia de história natural

Famoso pelas suas belezas naturais como o Pão de Açúcar, o Corcovado e a Pedra da Gávea, o Rio de Janeiro tem, pela primeira vez, um guia de história natural que traça um retrato sobre o meio ambiente da cidade brasileira.
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Recentemente considerada a primeira cidade do mundo a receber o título de Património Mundial como Paisagem Cultural Urbana pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o Rio de Janeiro é inspiração para muitos turistas pelas suas paisagens naturais.

Segundo diz à Lusa uma das organizadoras do livro, Maria Teresa Fernandes, o guia reúne artigos escritos por 12 autores e investigadores da área de gestão ambiental.

A obra é voltada para um público de interessados em observar os fenómenos da natureza.

"Há uma carência de informação sobre o tema e há muitos interessados em entender a paisagem natural do Rio de Janeiro, que tem um relevo espetacular. Quanto melhor entendemos a formação da paisagem, melhor podemos conservá-la", afirma Maria Teresa Fernandes, consultora em planeamento ambiental.

As paisagens do Rio de Janeiro são muito antigas e remontam a formações milenares, explica Fernandes, que já foi gerente da área ambiental na América Latina e Caraíbas no Banco Mundial.

A formação da geomorfologia e topografia do Rio remontam há pelo menos mil milhões de anos com a separação dos continentes.

"Em termos topográficos, o Rio tem uma paisagem à beira do mar como a Baía de Guanabara. No livro, procuramos explicar conceitos de relevo e contar a história do Rio com os seus processos que levaram milhões de anos", diz.

O Estado do Rio de Janeiro ainda tem preservada a sua cobertura verde do bioma Mata Atlântica em 18,5 por cento, sendo que metade deste território ainda é floresta primária.

Em todo o Brasil, resta apenas 20 por cento da Mata Atlântica que, originalmente, percorria todo o litoral brasileiro de norte a sul do país.

Das unidades de conservação que reúnem reservas biológicas, parques nacionais, parques naturais municipais e estaduais e áreas de proteção ambiental, existem pelo menos 30 na região metropolitana do Rio de Janeiro.

"A ideia é criar mosaicos e corredores de proteção ambiental para permitir a integração da fauna", diz a responsável pelo guia.

Entre as belas paisagens, estão também as restingas e as lagoas. "As restingas são uma paisagem extremamente importante associadas ao bioma da Mata Atlântica e aos manguezais que estão desvalorizados", lamenta Maria Teresa Fernandes.

Tanto as restingas, quanto os manguezais oferecem importantes serviços ambientais, além de proteger contra a erosão da região costeira e servirem como berçários de espécies.

"As restingas e os manguezais antes não eram valorizados. Essa visão está a mudar e já se faz um trabalho para tentar recuperar essas áreas", enfatiza.

Já as lagoas são vulneráveis e sujeitas a pressões do homem como despejo de esgoto in natura, resíduos sólidos e escoamento de águas pluviais.

"Muitas já sofrem assoreamento e a vida natural está prejudicada", argumenta a consultora ambiental.

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