«A rinite consiste numa inflamação, por vezes crónica, das vias respiratórias superiores (nariz) e dos seios perinasais (áreas em redor), com impacte ao nível do aparelho respiratório», explica Carlos Nunes, médico imunoalergologista. Acrescenta o especialista que é frequente uma rinite alérgica poder gerar uma rino-sinusite e que tratar a rinite é fundamental para evitar complicações associadas, como a asma, sobretudo nos seniores: «O problema da rinite alérgica no idoso pode complicar-se com o agravamento de patologias das vias respiratórias inferiores, particularmente com a bronquite e a asma.» Comichões no nariz e nos olhos, acompanhadas por espirros frequentes, são sintomas comuns num quadro de rinite alérgica e têm consequências nas respiração nocturna e, previsivelmente, no funcionamento do pulmão. «O idoso acaba por respirar mal à noite – apneia do sono –, tem falta de ar e essa situação tem efeitos ao nível do funcionamento do pulmão», adianta Carlos Nunes. O médico aconselha os idosos que sofrem de rinite alérgica a seguirem um tratamento para esta afecção respiratória, pois «devem tratar do seu nariz, de forma a evitarem complicações pulmonares». Geralmente, os factores que estão na génese da rinite são os chamados alergenos, por exemplo os ácaros do pó da casa e os pólenes, entre outras substâncias que são «inofensivas» para a maioria das pessoas mas que o sistema imunitário dos alérgicos vê como «inimigos» a abater.Os idosos com rinite alérgica devem seguir um tratamento aconselhado pelo médico alergologista para evitar complicações associadas como a asma e garantir a sua qualidade de vida, alerta Carlos Nunes: «É que, por vezes, a rinite e a asma andam de mãos dadas, desenvolvendo-se a doença asmática em cerca de trinta por cento dos doentes com rinite alérgica, após meses ou anos.» Os idosos com diagnóstico de rinite alérgica devem tomar «anti-histamínicos orais da terceira geração (não sedativos) com corticóides tópicos ao nível nasal. E nunca devem esquecer-se de limpar as fossas nasais com soro fisiológico», lembra o especialista. Também as vacinas antialérgicas, a imunoterapia específica, constituem outras ferramentas terapêuticas para evitar o surgimento de complicações associadas à rinite alérgica na terceira idade. A redução dos anticorpos é a principal vantagem da vacinação comparativamente à toma de comprimidos, na medida em que «estes apenas permitem o tratamento dos sintomas», remata o especialista. No grupo acima dos 65 anos, seguir a terapêutica é indispensável para ter uma boa qualidade de vida, principalmente quando os idosos têm outras doenças e para «reduzir o impacte nas vias respiratórias inferiores, nos brônquios». Mais, se os idosos com rinite alérgica forem tratados de forma adequada evitarão doença cardiovascular derivada de limitações de oxigenação que poderá surgir devido à ausência de terapêutica, esclarece Carlos Nunes..E eu também tenho?Segundo o estudo ARPA Seniors (rinite alérgica persistente), 15 por cento dos idosos têm rinite moderada ou grave, uma percentagem que aumenta quando são consideradas os grupos etários mais jovens, afirma Carlos Nunes. A investigação conduzida entre Maio e Julho de 2008 pretendeu aferir qual a prevalência da rinite alérgica na terceira idade, bem como a sua relação com a asma: «Constatou-se que 44 por cento dos inquiridos idosos tinham rinite alérgica e asma.»