O Infarmed esclareceu que os relatórios esta sexta-feira divulgados sobre a fiscalização de cosméticos para crianças são relativos a uma operação que durou mais de um ano e levou à retirada de alguns cremes em 2017 e 2018..Esta operação terminou em março deste ano e resultou em dois relatórios que apenas esta sexta-feira foram divulgados pelo Infarmed no seu 'site'..Segundo o relatório a que a Lusa teve acesso, e que reflete "as ações de sensibilização do Infarmed desde o final de 2017 e até março de 2019", o creme Barral Baby Protect Creme de Rosto usava conservantes não autorizados e em laboratório foi identificado um ingrediente (Phenoxyethanol) não identificados no rótulo, pelo que foi ordenada a suspensão imediata da comercialização e a retirada de todas as unidades existentes no mercado..O produto Wells Creme Rosto Bebé continha os conservantes Phenoxyethanol e Benzoic acid, que não estavam declarados na lista de ingredientes da rotulagem, além de se ter constatado que "os ingredientes listados não correspondem à verdadeira composição do produto". O produto continha ainda uma alegação falsa: «0% Fenoxietanol»..Segundo o Infarmed, a retirada destes produtos do mercado aconteceu em vários momentos no período compreendido entre o final de 2017 e o primeiro trimestre de 2019..O Infarmed informa ainda que em dois outros produtos - Dermosense creme gordo 100 ml e Dermosense creme de mãos 50 ml -- a distribuidora estava a proceder à retirada voluntária do lote em que foram detetadas irregularidades na rotulagem e a Autoridade do Medicamento ordenou "a suspensão imediata da comercialização e a retirada do mercado nacional de todas as embalagens do referido lote"..O Infarmed informou entretanto, na tarde desta sexta-feira, que os cremes das marcas Dermosense e Wells, mandados retirar em setembro de 2017 e outubro de 2018, respetivamente, não voltaram a ser comercializados, enquanto o da Barral voltou ao mercado após correção..A ação de supervisão do Infarmed incidiu sobre 87 produtos de diversas marcas, desde cremes para fralda a loções hidratantes, passando por leites emolientes, cremes protetores e águas de limpeza. No total, foram analisados mais de 1.300 parâmetros (químicos e microbiológicos).."A maioria dos Produtos Cosméticos analisados (87%) estavam em conformidade com a legislação em vigor à data de análise, relativamente ao tipo e teor de conservantes presentes na sua composição. No entanto, constatou-se que sete dos produtos cosméticos analisados (13%) apresentaram algum tipo de irregularidade", refere a conclusão do relatório, a que a Lusa teve acesso..O Infarmed desaconselha o uso em crianças de produtos cosméticos destinados a adultos, de modo a evitar a ocorrência de reações adversas como alergias, dermatites de contacto, reações inflamatórias, entre outras..Em caso de reações deste tipo, aconselha o consumidor a procurar um médico dermatologista ou um pediatra, suspendendo de imediato a utilização do produto.."Um produto cosmético nunca deve ser utilizado para outro fim que não o indicado na rotulagem", sublinha o regulador..( Notícia atualizada às 18:11 )