Na noite de quarta para quinta-feira, segundo um comunicado desta organização não-governamental, vários dos seus membros foram "ameaçados e agredidos" por homens armados. ."Estes ataques repetidos contra a nossa organização são inaceitáveis e obrigam-nos a suspender as nossas atividades", declarou Jean-Pierre Kaposo, coordenador dos MSF em Bria, no comunicado. ."Atacadas assim, as nossas equipas não estão em medida de fornecer os cuidados essenciais que a população necessitada", realçou. .Os homens armados, cuja identidade não foi revelada, também roubaram material da ONG. ."É o segundo incidente grave em menos de três meses de que os MSF são vítimas, em Bria, (uma vez que) a base da organização já tinha sido atacada em abril", adiantou-se no texto. .Bria, capital da unidade administrativa Alto-Kotto, com fama de riqueza em ouro e diamantes, é uma cidade estratégica no centro do país. com regularidade assiste a confrontos entre grupos armados, que pretendem conquistar os recursos naturais e ganhar influência local. .No final de junho, dois grupos armados saídos da ex-coligação Seleka, de dominante muçulmana, que tinha atacado e conquistado Bangui em 2013, confrontaram-se a uma dezena de quilómetros de Bria. .Desde 2013 que a quase totalidade do país é controlado por grupos armados e milícias, que cometem violências e abusos sem fim. Uma missão da Organização das Nações Unidas (Minusca), presente no país desde 2014, e um exército nacional, em formação, procuram restabelecer a ordem. .O governo do Presidente Faustin Touadera, um antigo primeiro-ministro, que venceu as presidenciais de 2016, controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por pelo menos 14 milícias, que, na sua maioria, procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros) e abate de elefantes para vender o marfim..O conflito neste país, que tem o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária. .Portugal está presente no país, no quadro da missão da ONU, a Minusca, com a 3.ª Força Nacional Destacada Conjunta, composta por 159 militares, dos quais 156 do Exército, sendo 126 paraquedistas, e três da Força Aérea, que iniciaram a missão em 05 de março de 2018 e têm a data prevista de finalização no início de setembro deste ano..Os 159 militares que estão no terreno compõem a Força de Reação Rápida (QRF) da Minusca e têm a sua base principal na capital, em Bangui, junto ao aeroporto, e já estiveram envolvidos em quase duas dezenas de confrontos.