Repórteres Sem Fronteiras pede à China que pare de atacar imprensa sueca

A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediu hoje à embaixada da China em Estocolmo que pare de assediar os jornalistas suecos, e acusou Pequim de querer impor a censura além-fronteiras.
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O apelo da RSF surgiu após um recente ataque da embaixada da China à emissora pública sueca SVT.

Em comunicado, a embaixada criticou a SVT por difundir, em fevereiro passado, uma mensagem do representante de Taiwan no país, a pedir apoio à democracia taiwanesa perante os "ataques de Pequim".

Taiwan funciona como uma entidade política soberana, desde que, em 1949, o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território e ameaça usar a força, caso Taipé declare independência.

A RSF acusou ainda o embaixador chinês na Suécia de "embarcar numa verdadeira cruzada contra a imprensa do país", desde que assumiu o cargo, em agosto de 2017.

Desde então, a representação diplomática chinesa criticou vários meios de comunicação suecos, incluindo os diários nacionais Dagens Nyheter e Svenska Dagbladet, bem como a agência de notícias TT.

"Uma missão diplomática não precisa denegrir o conteúdo editorial do país anfitrião", afirmou o representante da RSF na Suécia, Erik Halkjaer.

O diretor da RSF na Ásia Oriental, Cedric Alviani, considerou ainda que os ataques da China à imprensa sueca "são indicativos da atitude desinibida com a qual Pequim está agora a tentar impor a censura além-fronteiras".

A RSF lembrou que a China é um dos país do mundo com menos liberdade de imprensa e que mantém mais de 60 jornalistas na prisão.

As relações entre a Suécia e a China têm sido perturbadas, ao longo dos últimos anos, pelo caso de Gui Minhai, um editor e livreiro sueco de origem chinesa, de 54 anos, que vendia em Hong Kong obras críticas do regime chinês.

Em 2015, Gui Minhai desapareceu durante umas férias na Tailândia. O livreiro reapareceu numa prisão chinesa, tendo afirmando então, em declarações transmitidas na televisão, que se tinha entregado às autoridades por causa do envolvimento num acidente de trânsito na China, em 2003.

Em outubro de 2017, as autoridades chinesas libertaram Gui Minhai, mas o editor e livreiro voltou a ser detido mais tarde pela polícia chinesa, em janeiro de 2018, quando seguia com dois diplomatas suecos num comboio para Pequim, onde tinha marcada uma consulta.

A disputa diplomática agravou-se depois de, em setembro passado, a polícia sueca ter expulsado uma família de turistas chineses de um hotel, em Estocolmo.

Após o incidente, um programa humorístico da SVT satirizou o comportamento dos turistas chinesas, levando Pequim a acusar o canal público de racismo e a exigir um pedido de desculpas.

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