Sorte e azar também podem desempenhar um papel importante no desfecho de uma corrida, se bem que dificilmente justificarão um título no final de uma época. Em Melburne, na prova de abertura do Mundial, Giancarlo Fisichella (Renault) agradeceu a forte chuvada que, durante a qualificação, acabou por lhe garantir a pole-position e lhe facilitou a tarefa no sentido de chegar à segunda vitória da sua carreira..A sorte de Fisichella, porém, foi o azar de Michael Schumacher (Ferrari), que largou da última linha e não conseguiu terminar a prova, devido a um acidente envolvendo o seu compatriota Nick Heidfeld (Williams-BMW), à 43.ª volta. .Para a Renault, com o triunfo de Fisichella e o terceiro lugar de Fernando Alonso - que fez uma recuperação brilhante, desde o 13.º lugar - a época começa de um modo auspicioso, mesmo que a Ferrari tenha minorado o "prejuízo" com o segundo lugar de Rubens Barrichello. Aliás, o brasileiro deixou claro que o carro do ano passado (o novo será estreado quando o Mundial chegar à Europa) continua a ser competitivo, obrigando a concorrência a um esforço grande para quebrar a hegemonia dos últimos anos da equipa italiana..Fisichella largou bem, liderou até à 23.ª volta, perdendo o primeiro lugar para Barrichello apenas na volta seguinte - nos primeiros reabastecimentos - voltou para a cabeça do pelotão até à 42.ª volta, "cedendo" as duas seguintes a Fernando Alonso, e dominou da 45.ª até à meta, subindo, pela primeira vez, ao lugar mais alto do pódio, apesar de ter registado a segunda vitória. É que, no Grande Prémio do Brasil, em 2003 - corrida interrompida por uma tromba de água no circuito de Interlagos - apenas uns dias depois de Kimmi Raikkonen ter subido ao primeiro lugar do pódio, os comissários rectificaram a classificação, por terem interpretado mal o regulamento que atribuia a vitória ao piloto que liderasse a corrida duas voltas antes da interrupção..Mas a vitória do italiano não foi a única surpresa em Melburne. Jarno Trulli (Toyota) chegou a tentar a luta pelo primeiro lugar, antes de cair na classificação, depois do reabastecimento, e David Coulthard conseguiu um "inimaginável" quarto lugar com o "Red Bull" a mostrar "asas" que o seu antecessor Jaguar nunca evidenciou. E o progresso da escuderia austríaca não se pode considerar obra do acaso, já que Christian Klien colocou o segundo "Red Bull" no sétimo lugar, atrás do Williams-BMW de Mark Webber e do McLaren-Mercedes de Juan-Pablo Montoya. A McLaren, aliás, acabou por não deixar reflexo do seu verdadeiro potencial, vítima do fim-de-semana atípico e, principalmente da chuvada que baralhou o novo sistema de duas qualificações e estragou completamente a corrida de Schumacher. .O abandono do alemão não parece, no entanto, ter afectado o moral na Scuderia. O director-desportivo, Jean Todt, foi rápido na reacção, elogiando a "bela prova" de Rubens Barrichelo e o facto de, na altura do acidente, Michael Schumacher já se encontrar "nos pontos" (era oitavo na altura do acidente). .Com os motores obrigados a "resistir" em mais uma corrida, de acordo com os novos regulamentos, o Grande Prémio da Malásia - dia 20- promete fazer subir a temperatura, com a Renault empenhada em dilatar a vantagem, e a Ferrari, Williams e McLaren em não ceder terreno.