Renascimento milanês: sorriso voltou ao futebol de Ronaldinho

O jogador dos cabelos desalinhados  e dentes proeminentes regressou à boa forma, no AC Milan. Agora, é a maior ameaça ao Inter.
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A história dos astros do futebol é feita de explosão e implosão. Mas há os que suspendem a queda para tentar a redenção. Exemplo? Ronaldinho. Quando alguns já lhe auguravam um fim de carreira sem honra nem glória, o brasileiro reassumiu-se como estrela no AC Milan. Domingo deve liderar os rossoneri frente ao Inter de Milão, de José Mourinho.

De cabelo desalinhado e dentes proeminentes, Ronaldinho é a antítese de Cristiano Ronaldo (corpo produzido, estrela da moda e da bola). Porém, "Dinho" marcou a primeira metade dos anos zero deste milénio, como CR9 marcou a segunda. Em 2004 e 2005, a FIFA elegeu-o o melhor futebolista do mundo. E, em 2006, guiou o Barcelona à vitória na Champions.

Desde então, o médio brasileiro de sorriso fácil entrou em declínio. Perdeu influência em Camp Nou, deixou a Catalunha pela porta dos fundos (2008) e rumou a Milão. No AC Milan, teve uma primeira época aziaga, marcada por saídas nocturnas, discotecas e má forma física. Passou mais tempo no banco e deixou de brilhar, na sombra de dois compatriotas: a estrela Kaká e o jovem Alexandre Pato.

Porém, esta época - com Kaká vendido ao Real Madrid e Alexandre Pato lesionado - o gaúcho (de Porto Alegre, Brasil) recuperou a luz própria. Só em 2010, já fez seis golos (em três jogos): um ao Génova, dois à Juventus, três ao Siena. E voltou a receber elogios... que até chegam de Espanha. "O clube recuperou o grande Ronaldinho, que voltou a viver um óptimo momento", disse, anteontem, Kaká.

Em Itália, o médio brasileiro é visto como o obreiro do renascimento do Milan, que pode chegar ao 1.º lugar, se vencer o arqui-rival Inter (domingo) e a Fiorentina (na quarta-feira, num jogo em atraso). E assume o bom momento: "Acho que estou na mesma forma da minha época no Barcelona. E sei que voltei ao meu melhor nível."

O clube milanês até já pensa em prolongar o contrato com "Dinho" (de 2011 para 2013). E o brasileiro não lhe fecha a porta. "Tenho uma óptima relação com os dirigentes e nem preciso de um pedaço de papel para chegar a acordo", diz, admitindo a hipótese de "encerrar a carreira no Milan".

"Tenho sido importante em todos os clubes por onde passei, mas aqui sinto-me mais à vontade, e isso deixa-me orgulhoso", afirma ainda o brasileiro, como que esquecendo o fracasso da primeira época em Itália. "Na temporada passada estava preparado para mostrar a minha qualidade, mas o técnico Ancelotti) já tinha feito a equipa, sem contar comigo", critica o futebolista, de 29 anos.

Com o compatriota Leonardo, chegado esta época ao comando do Milan (ver caixa), tudo mudou. Segundo os media italianos, o brasileiro será mais conivente com as noitadas do craque. Mas "Dinho" tem outra explicação para a amizade com o novo técnico: "Carlo Ancelotti sabe muito de futebol, mas Leo tem mais imaginação e tenta coisas novas."

Certo é que este Ronaldinho, renascido, pensa no regresso à selecção brasileira (está afastado desde Abril de 2009). "Espero jogar outro Mundial", disse, a semana passada, para gáudio dos brasileiros que pedem o seu retorno aos planos do seleccionador Dunga.

A admiração chega até à Argentina. "Eu assisto aos jogos do AC Milan e só vejo Ronaldinho. É um dos maiores que já vi jogar e espero poder vê-lo na África do Sul", disse, recentemente, o seleccionador Diego Maradona.

Em jeito de remate, fica o aviso--celebração do técnico Leonardo: "Ronaldinho tem de agradecer aos companheiros, que não desistiram dele quando cometeu erros. Agora está a viver o momento que sempre quis. É o melhor jogador do mundo e recuperou o gosto pelo futebol." A prova dos nove é depois de amanhã, ante o arqui-rival Inter (19.45, Sport TV3).

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