Reforço policial e queixas por sedição ao terceiro dia de protestos na Catalunha

Generalitat insiste em realizar a consulta independentista a 1 de outubro e o governo espanhol em fazer tudo para a travar
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Para fazer face às "manifestações tumultuosas" na Catalunha e "garantir a segurança de todos os catalães", o governo espanhol anunciou ontem que vai reforçar a presença de efetivos da Guardia Civil e da Polícia Nacional nesta Comunidade Autónoma. Ao mesmo tempo, o Ministério Público apresentou queixa por crime de sedição pelas manifestações dos últimos dias em Barcelona, nomeadamente por causa do cerco ao departamento de Economia para evitar as buscas e a detenção de altos cargos da Generalitat acusados de organizar o referendo ilegalizado pelo Tribunal Constitucional.

A queixa de sedição foi apresentada para fazer face aos problemas que ocorreram nos protestos: desde tiros para o ar frente à sede da Candidatura de Unidade Popular , até à vandalização dos carros da Guardia Civil quando decorriam buscas no departamento de Economia. A denúncia aponta o dedo ao presidente da Assembleia Nacional Catalã, Jordi Sànchez, e ao da Omnium Cultural, Jordi Cuixart. O crime de sedição castiga com penas de até 15 anos de prisão quem "se sublevar pública e tumultuosamente para impedir, pela força ou fora de vias legais, a aplicação das leis ou a qualquer autoridade (...) o legítimo exercício das suas funções".

Além desta queixa, foi anunciado oficialmente um reforço policial na Catalunha. Segundo o Ministério do Interior, este servirá para "apoiar os Mossos d"Esquadra" nas tarefas de "vigilância do espaço público e manutenção da ordem", devendo também os agentes atuar "se se mantiver o referendo ilegal". Mas a Generalitat diz que o governo quer intervir na polícia catalã, acusada de passividade face ao referendo.

Ontem, pelo terceiro dia consecutivo, os catalães saíram às ruas para mostrar o apoio à consulta. Cerca de duas mil pessoas manifestaram-se frente ao tribunal de Barcelona onde os últimos seis detidos compareceram diante do juiz. Todos acabaram em liberdade, com a obrigação de não se envolverem na organização do referendo, que a Generalitat insiste que se vai realizar.

Para evitar o pagamento de uma multa diária de 12 mil euros, o número dois do Departamento de Economia, Josep Maria Jové (um dos libertados) foi afastado do cargo, sendo também dissolvida a junta eleitoral responsável por supervisionar a consulta. Um tribunal catalão ordenou ainda que fosse posto offline o site onde os catalães podiam saber onde votar, havendo denúncias de que este atenta contra a Lei de Proteção de Dados.

Também em protesto, três mil estudantes invadiram a Universidade de Barcelona, ocupando os claustros do edifício histórico no centro da cidade com o objetivo de ali ficar "pelo menos" até terça-feira. Vários políticos e figuras públicas vão passar pelo espaço, para dar "aulas nas ruas". Ontem à noite, estavam previstos concertos.

Os protestos deste fim de semana vão coincidir com a celebração da La Mercè, a festa de homenagem à santa padroeira de Barcelona, que se celebra a 24 de setembro. "Esta não é uma Mercè como as outras. A festa não pode ser alheia à reivindicação que enche as ruas de Barcelona e da Catalunha: Mais democracia", escreveu ontem a presidente da câmara, Ada Colau, no Twitter. Um cartaz a pedir "mais democracia" foi pendurado no edifício da câmara, na Praça de Sant Jaume. Durante as festas, esta praça acolhe os "castellers", torres humanas típicas.

Apesar da festa, Colau anunciou que assistirá à assembleia parlamentar organizada pelo Podemos em Saragoça, onde se criticará o governo do PP pela atitude "repressora" e elaborará um manifesto a favor de um referendo legal na Catalunha.

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