Sete pessoas foram detidas ontem na Catalunha por envolvimento com esta rede. Todas foram presentes a um juiz de instrução criminal de Girona, que as colocou sob liberdade condicional (dois ainda não foram ouvidos). A operação que levou às detenções e às cinco, denominada "Cursa", teve origem na denúncia apresentada em Dezembro por um ciclista profissional, cujo nome não foi divulgado, que recebeu um correio electrónico de um desconhecido oferecendo-se para lhe vender dopantes.."Entre os clientes de esta rede há desportistas que competem em corridas sociais [maratonas e meias maratonas], alguns desportistas de elite" e frequentadores de ginásios, em particular culturistas, informou em comunicado a polícia daquela comunidade autónoma de Espanha. O grupo era constituído por atletas amadores e semi-profissionais. Foi também a primeira vez que os Mossos D'Esquadra detectaram uma rede que administrava doping a menores de idade..Neste caso em particular a suspeita de ter dopado um menor que treinava recai sobre Jordi Riera Valls, ex-ciclista que esteve na Kelme em 2002 e 2003, épocas em que os médicos da equipa eram Eufemiano Fuentes e a sua irmã Yolanda, cabecilhas de duas redes de dopagem no desporto de elite desmanteladas pela Guarda Civil espanhola: o caso Puerto e a Operação Galgo. O advogado do corredor alegou à entrada do tribunal que se trata de um erro da investigação..Cabecilhas compravam fármacos falsos em Portugal.Nas buscas efectuadas em cinco locais foram apreendidas mais de 12200 doses de produtos dopantes. Algumas das substâncias são conhecidas por terem estado na origem de alguns dos casos mais mediáticos de dopagem no desporto de elite: 46 seringas pré-carregadas com eritropoietina (EPO), 423 comprimidos e 200 centímetros cúbicos (cc) de clembuterol injectável, 32cc de trembolona, nandrolona, outros tipos de anabolizantes e várias hormonas, incluindo hormona de crescimento humano. Também foi encontrado um cocktail de estimulantes (ECA, mistura de efedrina, cafeína e aspirina) e vários derivados sanguíneos, incluindo solcoseril, hemoderivado de sangue bovino..E onde se fornecia este grupo, formado por pessoas com antecedentes neste tipo de crime? Em Portugal, no principado de Andorra e roubando material de centros hospitalares. Segundo os Mossos D'Esquadra, citados pelo El Mundo, Portugal era o principal mercado desta rede e a importação clandestina das substâncias do nosso país, em boa parte fármacos falsificados, estava a cargo dos cabecilhas da rede. A polícia interceptou também duas encomendas provenientes de Portugal, enviadas por empresas de transporte distintas, com produtos proibidos..O segundo mercado de fornecimento era Andorra. No principado as farmácias são laxistas na aplicação das regras que limitam a venda de muitas substâncias e comercializam-nas sem receita médica, muitas vezes através da Internet. Neste caso, a farmácia comprava via Internet e revendia aos traficantes espanhóis. O que não se conseguia arranjar em Andorra ou Portugal, era roubado de clínicas de hemodiálise, especificamente a EPO. O suspeito que desviava a EPO orbitava à volta de um ciclista federado que distribuía os dopantes entre os clientes e ele próprio administrava as injectáveis.