Realidade virtual

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Escolher o produto, fazer o pagamento e recebê-lo em casa. Não tem nada que enganar. A oferta é variada, os preços para todos os bolsos. E se quiser assegurar-se de que o fornecedor é de confiança, basta passar os olhos pela caixa de comentários onde outros consumidores deixaram o relato da sua experiência. Pela internet pode comprar-se tudo com a maior facilidade e conforto, sem sequer ser preciso qualquer tipo de contacto humano: de viagens a pacotes de leite. Ou drogas. O sistema, ainda que corra na chamada dark net - rede encriptada criada pelo governo americano para partilhar informação secreta com um grupo restrito de pessoas e que entretanto, cortesia dos hackers de ocasião, evoluiu para o comércio de substâncias ilícitas -, é tão simples e fiável como encomendar livros escolares online. E por existir atrás de sucessivas paredes que tornam virtualmente impossível encontrar o vendedor, tem-se destacado como mercado de abastecimento não só de consumidores mas também de pequenos traficantes - há clientes que compram mil euros de drogas por mês, para revender. Um estudo agora apresentado indica que um em cada dez britânicos que consumiram drogas no ano passado comprou as substâncias pela internet (para Portugal não há dados). A maior fatia opta pela canábis, mas também há cocaína, ecstasy, estimulantes. É a lei da oferta e da procura a funcionar no seu melhor e com garantia de anonimato. Para quem está do outro lado, escusado será dizer, o negócio não podia estar a correr melhor: são cerca de 20 milhões de euros por mês, três vezes mais do que se estimava que as vendas rendessem em 2014, quando o primeiro supermercado online de droga, o Silk Road, foi descoberto e fechado. E com muito menor risco de serem apanhados. Os narcotraficantes, claro, não têm o exclusivo do sistema. A dark net também tem servido bem traficantes de armas, de pessoas, terroristas. Num mundo cada vez mais digital e em que a tecnologia está em evolução permanente, o combate ao crime vai ter de se adaptar à ciber-realidade. Será esse o grande desafio das forças de segurança.

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