O presidente do PSD afirmou esta terça-feira que "os extremismos fazem mal à democracia, sejam de direita ou de esquerda", e voltou a recusar o apoio de "políticos ou políticas" racistas, demagógicas ou irresponsáveis..No final da sessão solene do 25 de Abril, Luís Montenegro considerou que o discurso do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi "importante para reforçar os valores do 25 de Abril, da diversidade de opinião, do respeito e da tolerância uns pelos outros"..O líder do PSD destacou ainda a parte final da intervenção do chefe de Estado para voltar a defender a importância da "atração e integração de imigrantes" para Portugal..Já sobre a sessão de boas vindas ao Presidente do Brasil, cujo discurso os deputados do Chega tentaram interromper exibindo cartazes insultuosos que lhes mereceram uma reprimenda do presidente do parlamento, Montenegro defendeu que "todos devem contribuir para serenar muito do conflito, da crispação" que se sentiram hoje e nos dias anteriores.."Estar a fazer um combate numa sessão solene àqueles que antecederam o atual Presidente do Brasil não é o melhor caminho para dar tranquilidade a toda a comunidade. Senti isso nas duas intervenções dessa sessão solene, independentemente de me ter revisto em muito do que foi dito", afirmou Montenegro..O líder do PSD voltou a defender que "teria sido melhor" que a sessão de boas vindas se tivesse realizado num outro dia e lamentou que a maioria dos discursos não se tivesse centrado "no drama que as famílias têm hoje para sustentar despesas básicas".."E isso é uma questão que não nos remete para os extremismos, não são os extremos que vão solucionar com moderação os problemas que as pessoas sentem no dia-a-dia. E isto vale para os extremos direitos e esquerdos", disse..O líder do PSD criticou o PS por estar hoje "muito focado em digladiar-se politicamente com a extrema-direita, esquecendo que há pouco tempo andava de braço dado com a extrema-esquerda".."Os extremos fazem mal à democracia, ainda que se integrem nela, quer sejam de direita, quer sejam de esquerda", afirmou..Questionado pelos jornalistas sobre a demarcação em relação ao partido liderado por André Ventura, Montenegro repetiu o princípio que apontou numa entrevista recente à CNN.."Nós vamos respeitar os valores do PSD, não vamos alinhar com políticos ou políticas que tenham na ação política a xenofobia, o racismo, o oportunismo ou a demagogia desmesurada", disse, repetindo igualmente que consigo como primeiro-ministro o PSD não será apoiado por "políticos e políticas que demonstrem imaturidade e irresponsabilidade"..Montenegro foi ainda questionado sobre o discurso do presidente da Assembleia da República, que defendeu na sessão solene do 25 de Abril que tempo de cada instituição democrática deve ser respeitado sem atropelos ou precipitações.."Tenho sentido em muitas dessas intervenções uma atitude muito defensiva e muito justificativa. Só a atitude defensiva e justificativa já dizem muito do pensamento político que anda à volta do PS dos seus dirigentes", apontou..Já o PS acusou o líder do PSD de ter um "discurso dúbio" sobre o Chega e de estabelecer "falsas equivalências" com a esquerda parlamentar, defendendo que é preciso "ajudar o PSD a salvar-se como partido democrático"..O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, falava aos jornalistas após a cerimónia de boas-vindas ao presidente do Brasil, Lula da Silva, que antecedeu a 49.ª sessão solene comemorativa do 25 de Abril de 1974, no parlamento..Para o dirigente socialista, hoje "ficou claro para todos que a linha vermelha que o PS definiu é necessária à saúde da democracia" e mostrou-se preocupado com as declarações do presidente do PSD, Luís Montenegro, que tinha falado momentos antes, criticando-o por "fazer equivalências" entre os partidos à esquerda do PS no parlamento "e a extrema-direita"..Na reação, o líder parlamentar do PS comentou: "Essas equivalências são apenas desculpas para manter a funcionar um Governo com apoio da extrema-direita, numa região autónoma em Portugal, e aquilo que se pedia depois de hoje é que se fosse consequente e que esse Governo não tivesse apoio do PPD/PSD"..Segundo Brilhante Dias, "Montenegro sabe o que deve fazer para acabar com o seu discurso dúbio" sobre a extrema-direita.."Um dos trabalhos democráticos que temos de fazer nesta legislatura, que acaba em 2026, é também de alguma forma ajudar o PPD/PSD a salvar-se como partido democrático e o PS estará sempre disponível para ajudar o PPD/PSD a não esquecer as suas raízes democráticas e aquelas que são as raízes bem fundas de homens" como Francisco Sá carneiro ou Francisco Pinto Balsemão ou Magalhães Mota, fundadores do PSD, disse..Brilhante Dias defendeu que "este é o momento" de ajudar o PSD a "construir uma linha vermelha face à extrema-direita e não a ajudar o PPD/PSD a confundir os portugueses com um discurso de equivalências com partidos que são democráticos e que há muito estão representados no parlamento", sustentou..O líder parlamentar socialista defendeu ainda que a Assembleia da República conseguiu hoje, "com um cunho fortemente democrático, marcar bem a linha vermelha face à extrema-direita parlamentar" e foi capaz, na receção de um presidente de "um país irmão", responder aos que "não têm respeito pelas instituições democráticas" construídas após o 25 de Abril..O dirigente socialista destacou, na intervenção do presidente do parlamento, Augusto Santos Silva, o "sublinhado muito importante sobre o tempo democrático" e a forma como é necessário "respeitar o voto dos portugueses"..Já quanto ao discurso do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, Brilhante Dias elogiou as referências à comunidade emigrante em Portugal, "sublinhando que o povo português é um povo de emigração, que deve acolher bem os emigrantes" e que "há sempre um 25 de Abril para construir todos os dias".."Foi um dia difícil para esta instituição, é um dia particularmente difícil porque a extrema-direita decidiu confrontar esta instituição profundamente democrática com falta de educação e sem respeito pelo nosso convidado, mas fomos capazes de responder", vincou..A Iniciativa Liberal considerou que os discursos do chefe do Estado e do presidente do parlamento foram "duas tentativas de apaziguar e relativizar uma crescente insatisfação na sociedade portuguesa".."Há falhas nos acessos aos serviços públicos, há problemas na educação, na saúde, na justiça, há falhas nas Forças Armadas e nas polícias e foram temas que passaram muito ao de leve nas duas intervenções", criticou o líder parlamentar da IL, Rodrigo Saraiva, em declarações aos jornalistas no final da sessão solene do 49.º aniversário do 25 de Abril..O deputado da IL considerou que Marcelo Rebelo de Sousa já teve "intervenções bastante mais assertivas em outros momentos", e que o discurso de Augusto Santos Silva foi quase "uma ode ao imobilismo".."O que os tempos da democracia teriam exigido era uma sessão do 25 de Abril muito mais focada nos problemas que os portugueses vivem e não a tentativa de minimizar o que se está a passar", disse..Questionado sobre os incidentes causados pelo Chega na sessão solene de boas vindas ao Presidente do Brasil, que antecedeu a do 25 de Abril, Rodrigo Saraiva disse preferir deixar "outros episódios para os dois partidos que se têm vindo a co-alimentar em benefício próprio", concretizando estar a referir-se a PS e Chega..O secretário-geral do PCP defendeu hoje que é preciso "que se cumpra Abril" e se respeite a Constituição, e admitiu ter sentido "vergonha alheia" pela postura do Chega durante o discurso de Lula da Silva..Paulo Raimundo afirmou que, do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, retirou três ideias, começando por destacar a afirmação do chefe de Estado de que "Abril está vivo".."De facto está vivo, nas suas conquistas, nos seus valores, aliás essa expressão das suas conquistas e valores teve expressão ontem [segunda-feira] durante a noite, hoje durante a manhã e terá expressão logo à tarde nessas avenidas e ruas do país, e em particular na Avenida da Liberdade", sublinhou..Por outro lado, o secretário-geral do PCP referiu que concorda com o Presidente da República quando diz que "Abril é do povo", sublinhando que a Revolução é de facto "uma consagração do povo"..Por último, o líder comunista salientou também que Marcelo alertou que, "vão-se alternando os governos e os primeiros-ministros e, no fundamental, a lei fundamental não está a ser consagrada".."É em Abril e nos seus valores que está a resposta para os problemas que enfrentamos. É preciso então é que se cumpra Abril e em particular aquilo que é a lei fundamental, nomeadamente naquilo que consagra, desde o direito à igualdade, ao acesso à habitação, à saúde, à dignidade, ao aumento dos salários. É isso que falta cumprir", frisou..Nestas declarações aos jornalistas, Paulo Raimundo foi questionado sobre como é que o PCP se posiciona perante a postura do Chega durante o discurso do Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, esta manhã.."Acho que é um incidente sem comentários, isso responsabiliza os próprios. Um bocadinho de vergonha alheia, um bocadinho de vergonha alheia", respondeu..Para o BE é "muito oportuno" que o Presidente da República "tenha denunciado a hipocrisia" de quem ataca os imigrantes num país de emigrantes, destacando a importância que teve "reconhecer a violência colonialista e a responsabilidade que Portugal tem"..À saída da sessão solene comemorativa do 25 de Abril , a líder bloquista quis "destacar palavras do senhor Presidente da República que ainda não tinham sido ditas desta forma por um representante do Estado português".."Registamos que o senhor Presidente da República não só pediu desculpas pela violência da colonização portuguesa como diz que Portugal tem de assumir responsabilidades pela violência que foi essa colonização face aos povos que foram colonizados por Portugal", enalteceu, considerando que "faltava esta palavra há muito tempo"..Para Catarina Martins, trata-se de um "momento importante" porque "reconhecer a história é reconhecer a violência colonialista e a responsabilidade que Portugal também tem".."Acho muito oportuno que o senhor Presidente da República tenha denunciado a hipocrisia daqueles que atacam imigrantes e a imigração num país que é ele feito de emigrantes e tem comunidades espalhadas em todo o mundo", sublinhou ainda..A porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, considerou que o Presidente da República traçou uma "linha clara" face a quem quer alimentar o discurso de ódio e a discriminação.."Destacamos também uma linha clara que o senhor Presidente traçou em relação àqueles que visam alimentar o discurso do ódio, alimentar o discurso da discriminação e da segregação, e refiro-me aquelas que foram as suas palavras para com um país de imigrantes e de imigração", afirmou,..Inês de Sousa Real afirmou haver atualmente "um desafio acrescido, o desafio de acarinhar e reforçar a democracia, de garantir que esta mesma democracia, que permite a pluralidade e as várias representações partidárias, não enfraqueça, não seja destruída por aqueles que querem um retrocesso a uma história que o 25 de Abril derrubou"..A dirigente do PAN afirmou ser também "fundamental dar as respostas às preocupações dos portugueses", além de responder ao "desafio climático" e "à crise da empatia e respeito para com todos os seres, humanos e não humanos"..A deputada única do PAN considerou que "Portugal é e deverá sempre ser um país de braços abertos e multicultural e multidiverso, como tem sido até aqui"..Inês de Sousa Real destacou que Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu também que "Abril ainda está por cumprir no que diz respeito ao ambiente, aos direitos das mulheres, no acesso à habitação, entre outros serviços essenciais".."Há um caminho que teremos de trilhar e saudamos o reconhecimento que hoje aqui foi feito, mas também que a maioria parlamentar tenha estado do lado certo da história, do lado da democracia", salientou..A deputada do PAN lamentou também o protesto protagonizado pelos deputados do Chega. "A extrema-direita optou por ofender e hostilizar um representante de um país irmão, do povo brasileiro, com quem temos os maiores laços de afinidade e também uma cultura e uma tradução de respeito e de integração em ambos os países. Para o PAN, esse não é o caminho do respeito, da democracia e das instituições", salientou a líder..Na opinião do deputado único do Livre, o Chega teria "dado provas da mesma falta de cortesia" se a sessão de boas-vindas ao Presidente do Brasil, Lula da Silva, não se tivesse realizado no 25 de Abril.."Não nos venham dizer que é por ser no 25 de Abril porque todos sabemos que teriam dado provas da mesma falta de cortesia, da mesma falta de educação, em qualquer dia que fosse", considerou..Na opinião do deputado único do Livre, é necessário "reconhecer as ameaças que isso representa para o 25 de Abril" para não arriscar perder "aquilo que tanto custou conquistar".."Hoje à tarde milhares de pessoas vão estar na Avenida da Liberdade. Vão ser muito mais do que aquelas que protestaram contra o 25 de Abril - não só contra Lula [da Silva] - e essas pessoas, esses portugueses e portuguesas, que amam mais a democracia do que o autoritarismo, são aqueles nos quais temos que ter confiança para enfrentar o futuro", considerou..De acordo com o historiador, na celebração dos 49 anos da Revolução dos Cravos, é preciso ter consciência de que "nenhuma democracia está garantida"."E a nossa vive agora o momento da sua ameaça mas agressiva, mais violenta e mais intimidatória que tivemos desde o período pós-revolucionário", insistiu, ideia já deixada no seu discurso na sessão solene.