O surf é um desporto que atrai cada vez mais pessoas. Novos, mais velhos, rapazes ou raparigas entusiasmam-se com o universo da convivência com o mar, com as ondas e com a praia. Um exemplo disso é Filipe, 30 anos, que já pratica este desporto há 22. Quando era mais novo (a idade nunca foi entrave), entrou em competições, mas a profissão de arquitecto acabou por falar mais alto. Hoje em dia aproveita qualquer hora disponível para ir à praia e "curtir umas ondas". O bichinho está-lhe na pele e mesmo depois de um acidente de moto e de uma operação à perna, nada o impede de entrar na água e rasgar o mar com a sua prancha. .Sónia namora com Filipe há oito anos e há cerca de três resolveu viver as experiências do namorado. Gostou, resolveu ter umas aulas e agora confessa que esta paixão também a contagiou. "Gosto de ir para a água e ter aquela sensação de liberdade", diz. Embora admita que, se as ondas estão muito altas, ainda tem algum receio em entrar, a adrenalina do surf acaba por falar mais alto. É essa parte da superação de todos os obstáculos que mais lhe agrada e, na sua opinião, o importante é "ir tentando"..Aos 11 anos talvez seja difícil para Beatriz perceber tudo isto, pois esta é a primeira aula que vai fazer na Praia Grande, em Sintra. Está acompanhada dos pais e do irmão Gonçalo, que tem apenas sete anos. A lição para a família começa com o vestir dos fatos e com a percepção da posição que vão tomar na prancha. Sim, há os regulares que colocam o pé esquerdo à frente e os goofy que utilizam o direito. Depois está na hora de perceber como se faz o takeoff, ou seja, como se passa da posição horizontal para dois pés em cima da prancha. Gonçalo, Beatriz e os pais perceberam tudo, por isso o aquecimento começa com umas tentativas em terra de take-offs. Os braços, os joelhos e o pescoço também devem ser aquecidos.. Está na hora de carregar com a prancha e entrar na água. Chegou o momento da verdade, os olhos da menina confundem-se com o mar, surgem os pensamentos e as questões. "Achas que vou conseguir?", pergunta. A professora Maria João sossega-a e diz-lhe que estará lá para a ajudar no que for preciso..Com apenas 11 anos, o seu peso não permite que trespasse a rebentação das ondas, mas não é preciso ir para longe para conseguir apanhar a espuma do mar e tentar a sorte. Maria João dá um empurrão, pois a remada também é um pouco mais difícil para quem ainda não tem nem muitos músculos nem treino absolutamente nenhum. Não conseguiu à primeira, nem à segunda, mas à terceira é de vez e a menina consegue pôr-se de pé. O entusiasmo é contagiante..Na Praia Grande, não é só Beatriz que brilha na água com a sua alegria. O Campeonato Nacional de Surf está a decorrer e, aliás, foi por este motivo que a família de Beatriz teve oportunidade de experimentar esta aventura. Pedro Araújo, mas conhecido por "Pirujo", o outro professor que acompanha a aula, conta como está a ser o campeonato e como se processa. Aos 41 anos, faz do surf a sua profissão, dá aulas e participa em campeonatos - este não foi excepção. Apesar de o primeiro heat lhe ter corrido bem, acabou por ficar pelo caminho, mas não é só ganhar que interessa, o importante é praticar, viver aquele ambiente e... "curtir". Como nos explica, um heat é composto por quatro surfistas (são a chamada "bateria") e tem a duração de 20 minutos. Neste espaço de tempo, os atletas podem apanhar no máximo dez ondas. .As camisolas de cores diferentes identificam os concorrentes. As buzinas anunciam a entrada da bateria, o heat vai começar e é tempo de demonstrar as habilidades. Mas não se pense que os surfistas podem fazer o que lhes apetecer tudo deve ser ordeiro, porque apanhar uma onda obedece a regras e há que ter atenção para não cometer nenhuma interferência, ou seja, não entrar na onda dos outros nem mesmo na remada. Depois é só, como se diz no surf, "partir a loiça toda". Nestas dez ondas só as duas melhores é que contam e os júris estão atentos a tudo para deliberar as pontuações, que vão de um a dez..Num campeonato, a praia está dividida em zonas há uma parte em que decorrem os heats - é a chamada zona de campeonato -, do mar ao areal há surfistas, júris e espectadores espalhados por toda a parte. Mas o maior aglomerado de pranchas é na zona do free surf, nas áreas laterais da praia onde a competição decorre e todos tentam apanhar a melhor onda. Os espectadores observam meninos e meninas, homens e mulheres a rasgar o mar em "tubos", "aéreos" ou simples "dropinanços".