A CONATEL anulou as licenças de 32 estações de rádio e obrigou-as a neutralizarem os transmissores. .Através da Internet foi hoje possível ouvir as estações do Circuito Nacional Belfort (CNB 102.3), que difundiram informações e críticas à decisão da CONATEL. A transmissão foi publicitada pelo canal televisivo privado de notícias, Globovisión..Os utilizadores de "smartphones (telemóveis com algumas das funções dos ordenadores portáteis) puderam ainda acompanhar em directo a emissão através do "blackberryradio.net" ou ler notícias em tempo real emitidas através do Twitter e Facebook..A CONATEL anulou as licenças de 32 rádios e duas estações de televisão em seis Estados do país, obrigando-os a "apagar" os transmissores imediatamente.."Esta é uma decisão legítima do Governo Nacional como administrador do espectro rádio-eléctrico sobre os administrados, que neste caso são os concessionários", anunciou o ministro das Obras Públicas venezuelano, Diosdado Cabello, que também é director da CONATEL..As emissoras encerradas fazem parte de um grupo de 240 estações de rádio e televisão contra as quais a CONATEL abriu procedimentos administrativos que poderão conduzir ao encerramento temporário ou definitivo das mesmas..O governo alega que algumas das licenças caducaram e que os proprietários de outras faleceram há anos. .Os administradores das rádios, por seu lado, asseguram ter cumprido os procedimentos e pago pontualmente os impostos exigidos pela CONATEL..O encerramento foi condenado pela Câmara Venezuelana da Indústria de Radiodifusão, que emitiu um comunicado a denunciar como "inconstitucional" o encerramento "sem que os afectados tenham podido defender-se"..O Colégio Nacional de Jornalistas, entidade responsável pela emissão da carteira profissional, condenou a "despótica decisão" e instou o governo a "pôr fim ao ocioso desporto de fazer a vida dos outros impossível, criando artifícios em nome da lei"..Também a Igreja Católica venezuelana condenou a decisão da Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (CONATEL), considerando que "não contribui para a paz e a convivência" no país.."Esperamos que o governo veja que o povo não está contente com esta questão", disse o arcebispo de Caracas, cardeal Jorge Urosa, assinalando que as emissoras obrigadas a encerrar "na sua maioria têm uma atitude crítica ante o governo"..No seu entender, o encerramento "é sumamente grave" e contradiz a Constituição Nacional..Com sede em Montevideu (Uruguai), a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) emitiu um comunicado a instalar a comunidade internacional a "activar os mecanismos previstos na Carta Democrática Interamericana e exigir ao governo da Venezuela o pleno restabelecimento dos direitos humanos e do regime constitucional, severamente alterado nesse país"..A AIR, que representa mais de 17.000 estações privadas de rádio e televisão nas Américas, Ásia e Europa, acusa a Venezuela de "não cumprir deliberadamente a Lei Orgânica de Telecomunicações (venezuelana) ao não regularizar os títulos das concessões de rádio e televisão".