A remoção das 33 toneladas de carga perigosa e do combustível que estão a bordo do CP Valour, o cargueiro que há uma semana encalhou na praia do Norte, ilha do Faial, nos Açores, é agora a prioridade máxima das autoridades portuguesas. O objectivo é evitar a possibilidade de uma catástrofe ambiental se a violência do mar vier a causar novos rombos no navio ou a lançar contentores ao mar. O problema é que os meios podem não chegar a tempo..As autoridades marítimas estão por isso a pressionar o armador - a quem cabe a responsabilidade das operações - para que retire do navio todos os produtos perigosos até ao início da próxima semana. A remoção dos contentores e do combustível aliviará, além disso, a carga do navio e poderá ajudar a desencalhá-lo. Até agora, todas as tentativas feitas nesse sentido falharam..Até ao dia 21, as previsões meteorológicas mantêm-se favoráveis para as operações de remoção dos materiais perigosos, que são tecnicamente complexas. Depois disso, com o agravamento previsível do estado do tempo e do o mar (a ondulação chega a atingir ali os sete a oito metros de altura, nesta época do ano), "tudo pode tornar-se muito complicado", admite o porta-voz da Armada, comandante Brás de Oliveira..O plano de salvamento, apresentado na quarta-feira pelo armador ao Capitão do Porto da Horta, prevê como operações de combate à poluição a remoção dos contentores - com prioridade para os três que contêm 33 toneladas de carga perigosa, como o DN ontem revelou - e a trasfega das cerca de 1100 toneladas de combustível que ainda permanecem nos sete tanques, por enquanto intactos, do CP Valour. O problema são os meios..As duas barcaças que foram fretadas no próprio arquipélago, e para as quais será transferido o combustível do cargueiro, poderão chegar ao local depois de amanhã, a tempo de iniciar, pelo menos, a operação. A remoção da carga perigosa é mais problemática. O navio equipado com a grua necessária para isso foi fretado em Gibraltar e não se sabe, neste momento, quando poderá chegar ao Faial.."Retirar até dia 21, por outros meios, os produtos químicos perigosos é uma possibilidade e o armador está a ser pressionado para avaliar essa possibilidade", adiantou ao DN o porta-voz da Armada..Como o DN ontem revelou, o CP Valour tem a bordo três contentores com carga perigosa, num total 33,3 toneladas. Um contém oito toneladas de trifenil fosfito, outro 19 de persulfato de sódio e outro ainda, 6,3 toneladas de tintas. Se houver rombos nesses contentores, ou se eles caírem ao mar, haverá um desastre ecológico na zona, que fica junto a outras duas, que pela sua biodiversidade, estão classificadas como sítios de importância comunitária da Rede Natura 2000. ."Estas, felizmente, não foram ainda atingidas pela poluição", disse ao DN Frederico Cardigos, do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP), da Universidade dos Açores, que acompanha a situação e mantém informação actualizada na página do DOP na Internet..O CP Valour voltou ontem, entretanto, a libertar fuelóleo no mar durante a manhã. Uma das manchas, que chegou a atingir uma extensão de 20 por 40 metros, foi empurrada para a praia e foi removida pela equipa de limpeza que ali tem trabalhado nos últimos dias. Este novo derrame, que cessou durante a tarde, deverá ter resultado da injecção de ar comprimido nos porões do navio (para lhe conferir mais flutuabilidade), que fez sair os restos de fuelóleo que permaneciam no interior do tanque danificado..As operações de limpeza permitiram até ontem a remoção de cerca de 95 m3 de hidrocarbonetos derramados, talvez metade do que foi vertido pelo navio.