Queda das Bolsas continua mas não alarma analistas

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A ferida aberta pelo rebentamento da "bolha" na China no sentimento dos investidores mundiais, há precisamente uma semana, continua por estancar. Ontem, as Bolsas europeias e asiáticas prolongaram a trajectória de perdas que, nalguns casos, já chegou aos 8%. No entanto - embora sem certezas sobre a duração deste movimento -, alguns investidores já regressaram às compras. Um sinal disso mesmo foi a evolução positiva dos índices bolsistas norte- -americanos a meio do dia, que reforça o papel das acções como a única opção rentável de investimento até ao final deste ano.

Questionado pelo DN sobre se as perdas das Bolsas na última semana traduzem o início de um crash bolsista (longa série ininterrupta de queda fortes) ou constituem apenas uma correcção pontual, um gestor de activos português, que pediu para não ser identificado, foi claro: "Não sei, ninguém sabe quanto irão parar as quedas." Esta posição espelha a perspectiva geral dos analistas de mercado. A maior parte dos peritos contactados assume que já havia antecipado esta possibilidade, tendo implementado algumas estratégias de protecção, consoante o seu perfil de investimento (ver caixas em baixo). Mas, praticamente todos concordam que as acções continuam a ser a melhor aposta para rentabilizar as poupanças em 2007.

Os índices bolsistas europeus perderam, durante a sessão de ontem, em torno de um ponto percentual. A Bolsa de Lisboa recuou 1,4%, penalizada pelos efeitos do fim da oferta pública de aquisição (OPA) sobre a PT (ver pág. 10). Na China, o principal índice caiu 1,6%, ao passo que a Bolsa japonesa afundou 3,3% para o seu valor mais baixo dos últimos nove meses. Praticamente todos os índices mundiais já apagaram os ganhos acumulados nos dois primeiros meses de 2007.

Apesar deste contexto - e da incerteza no curto prazo -, os analistas mantêm a sua aposta em acções. "As próximas sessões deverão ser dominadas pelo nervosismo, embora tal não ponha em causa a orientação altista dos mercados accionistas que antecipamos para 2007", sublinharam os analistas do BNP Paribas numa nota de investimento. Já os peritos da Standard & Poor's esclareceram, em conferência telefónica, que "quando a poeira assentar, irá aparecer um quadro claro de oportunidades de compra". Na base desta posição está a fraca atractividade da dívida pública e privada, a capacidade que as empresas mantêm de gerar capitais e as perpectivas ainda de crescimento económico na Europa e Ásia. Por outro lado, as taxas de juro ainda estão historicamente baixas e o preço do petróleo já não pressiona significativamente a actividade económica.

A primeira indicação de que os investidores acreditam que as acções continuarão como principal opção de investimento já foi dada ontem. As Bolsas dos EUA seguiam, a meio da sessão, com leves ganhos, ajudando as congéneres europeias a recuperarem das quedas de quase 3% que apresentavam de manhã. Um comportamento que mostra que alguns investidores já estão no mercado à procura de títulos de baixo valor para voltarem às compras.

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