O assalto em Tancos devia ter servido de sinal de alerta e catalisador da mudança com vista a um reforço de segurança quer internamente quer nos portos e aeroportos por onde diariamente entram em Portugal milhares de estrangeiros. E no entanto, mais de uma semana depois, o que aconteceu? Estabeleceu-se uma lista de prioridades, avançou-se com medidas urgentes para emendar erros e evitar falhas futuras, criou-se um plano de ação imediata para reforçar os meios e recursos das forças armadas? Nada disso. Houve demissões no Exército, audições no Parlamento, desculpas do ministro da Defesa - como se não saber fosse justificação que desresponsabilizasse o detentor de um cargo ministerial - e garantias do titular da pasta dos Negócios Estrangeiros de que Portugal continua a ser um país seguro. É verdade, sim, mas há nisso uma grande componente de sorte, porque por cá as estruturas políticas continuam todas a assobiar para o lado quando o tema é uma mudança qualquer ao nível da Defesa e da Segurança Interna. Se nem um reforço dos inspetores que vigiam as entradas nos portos e aeroportos nacionais - proporcional ao crescimento exponencial do turismo - somos capazes de garantir, muito menos provável é que se comece a levar verdadeiramente a sério os serviços militares, de informação e segurança. Ou que se entenda que é preciso dotá-los de meios de trabalho e ferramentas capazes de os tornar eficazes, sob pena de apenas estarem ali, a existir, sem real capacidade de prever ou agir em casos que o exijam..O roubo em Tancos não foi original. Já houve casos semelhantes aqui - como o que aconteceu há seis anos num centro dos comandos em Sintra - e noutros países europeus. Mas foi grave, muito grave, sobretudo num contexto internacional como aquele em que vivemos. A organização da Defesa Nacional não é um capricho, é uma urgência. A capacitação das forças de segurança não é um assunto menor, tem de ser uma prioridade política, mas também da sociedade civil. Tem de ser uma preocupação de todos. Porque todos temos demasiado a perder se o sistema falhar.