Para Christina Lee e Michael Saba já é normal receberem pessoas furiosas em casa. Um mês depois de se mudarem, uma família muito zangada apareceu-lhes porta e exigiu que devolvessem o objeto roubado. Pouco tempo depois foi um grupo de amigos, que fez o mesmo, e depois outro, e outro. Aparecem de manhã, à tarde e ao meio da noite e pediem todos, furiosos, o mesmo: o telemóvel de volta..O casal vive em Atlanta, nos Estados Unidos, e, por algum motivo que os dois desconhecem, a morada é muitas vezes a apontada por aplicações de localização de telemóveis perdidos ou roubados..No último ano foram acusados de roubo por 12 pessoas, que lhes apareceram à porta, algumas vezes acompanhas pela polícia, contam à Fusion. Num mês, o casal passou por esta situação quatro vezes e numa das situações os polícias arrombaram-lhes a porta de casa. "O meu maior medo é que alguém perigoso ou violento venha à nossa casa por causa disto", afirmou Michael. "Se isso acontecer não sei se a nossa explicação vai chegar", referiu o engenheiro, que viu de perto como as pessoas reagem mal, até de modo violento, quando sentem que estão a ser enganadas. E apesar de muitos acreditarem na história do casal, alguns ficam desconfiados..O caso mais grave foi quando, para além de serem acusados de roubo, Michael e Christina foram acusados de rapto e a sua casa foi invadida pela polícia. Em junho, quando uma menor de idade desapareceu e a aplicação para localizar telemóveis informou que esta estava na casa dos dois jovens de 20 anos, Michael e Christina foram interrogados pela polícia e obrigados a esperar uma hora na rua, enquanto as autoridades decidiam se revistavam a casa ou não. "Isto mostra quão inseguras e falíveis são algumas das novas tecnologias", afirma Saba..O mais desconcertante é que os telemóveis desaparecidos são todos diferentes e ainda não foi possível identificar a causa do erro. Iphones e androids de várias marcas, de diferentes operadoras e usando aplicações de localização diferentes, apontam para a mesma casa constantemente..Ken Westin, um especialista em segurança informática, explicou à Fusion que, para encontrar um telemóvel perdido, as aplicações recorrem à informação do GPS, por satélite, depois às torres de telefone, depois às redes WiFi e depois ao endereço IP..O analista pensa que a causa pode ser um erro na triangulação das torres de telefone e dá o exemplo do caso de um homem cuja casa estava exatamente no centro de três torres e que teve o mesmo problema que Michael e Christina. Contudo, não há maneira de confirmar esta teoria, visto que as empresas donas das torres telefónicas não respondem, assim como as operadoras e as marcas dos telemóveis.