A Coreia do Norte já lançou quase 40 mísseis balísticos este ano, o maior número de sempre, mas o último fez soar novos alarmes. Não só foi o que chegou mais longe - caiu a uma distância de cerca de 4600 quilómetros, no oceano Pacífico - como sobrevoou o Japão, obrigando as autoridades a emitirem um alerta. Desde 2017 que isso não acontecia, tendo esse sido também o ano do último teste nuclear norte-coreano. Os especialistas acreditam que esse será o próximo passo do regime de Kim Jong-un..A Administração norte-americana condenou o teste, apelidando-o de "perigoso e imprudente", tendo respondido com exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul que envolveram o bombardeamento de um alvo numa ilha desabitada no Mar Amarelo. O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, falou de um "ato de violência". Já o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse tratar-se de uma "agressão injustificada"..Aquele que terá sido o oitavo míssil lançado pela Coreia do Norte em 10 dias presume-se ser um Hwasong-12 IRBM, segundo os japoneses, com capacidade para atingir o território norte-americano de Guam - onde os EUA têm bases militares. O anterior recorde para a distância percorrida por um míssil norte-coreano era de 3700 km, em 2017..Mas os responsáveis não afastam a hipótese de poder ter sido um míssil intercontinental, mais próximo de uma trajetória real dos que os testes feitos até agora (com um ângulo mais pronunciado para evitar os países vizinhos), mas ainda não no máximo da sua capacidade..O míssil lançado de Mupyong-ri, no norte da Coreia do Norte, voou a uma altura máxima de 970 km, a uma velocidade de Mach-17 (17 vezes a velocidade do som). Segundo o Japan Times, sobrevoou durante um minuto a prefeitura de Aomori, no norte do Japão. Nesta região, assim como em Hokkaido e também em Tóquio, soaram os alarmes pelas 7.30 da manhã..O número de testes este ano e o escalar da tensão que representa o facto de o último míssil ter sobrevoado o Japão, faz lembrar o período em 2017, quando o então presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou a Coreia do Norte com "fogo e fúria" em caso de ameaças aos EUA, tendo Pyongyang avisado para a possibilidade de "envolver pelo fogo" a ilha de Guam. No ano seguinte, Trump e Kim Jong-un reuniam pela primeira vez em Singapura e os testes pararam, regressando após um segundo encontro falhado em 2019..Para trás tinha ficado também o sexto e até agora último teste nuclear do regime de Kim Jong-un, em setembro de 2017. Testou então uma bomba de hidrogénio com uma força estimada entre 100 e 370 quilotoneladas (sendo que 100 já é seis vezes mais forte do que a lançada pelo EUA em Hiroxima), que causou um terramoto de 6,8 graus de magnitude..Segundo os especialistas, a ideia agora não será testar algo semelhante, mas uma ogiva em miniatura, capaz de ser colocada nos mísseis (incluindo os de mais pequeno alcance). Os seis testes anteriores, subterrâneos, foram realizados em Punggye-ri, que em 2018 a Coreia do Norte disse ter desmantelado. Contudo, imagens de satélite reveladas no início do ano mostram trabalhos de renovação no local..susana.f.salvador@dn.pt