Numa exposição aos procuradores do Departamento de Investigação e AcçãoPenal (DIAP) de Lisboa, incluindo a Procuradora-Geral Adjunta Maria José Morgado, há cerca de um ano, a PSP apresentou uma análise, que se verificou ser errada, da evolução da criminalidade na área metropolitana de Lisboa..Segundo o documento, a que o DN teve acesso, as previsões optimistas desta polícia - que tinha assumido competência sobre mais 450 mil pessoas no comando de Lisboa - apontavam para uma descida de 2% da criminalidade violenta e grave. O que se veio realmente a verificar foi um aumento de 4%..Isto apesar de os autores da exposição, o intendente Pedro Gouveia, actual director de Operações da PSP, e o subintendente Dário Prates, que comanda a Divisão de Investigação Criminal de Lisboa, terem traçado um retrato preocupante dos bairros problemáticos da área do comando de Lisboa, que abrange os concelhos de Amadora, Cascais, Oeiras, Loures e Vila Franca de Xira. Em 59 bairros identificados, a PSP dava grau máximo de risco a 25 - Zona Vermelha - , sendo que o nível logo a seguir, igualmente indicador de elevada ameaça - Zona Laranja - foi atribuído a 32 aglomerados. .O Bairro Portugal Novo, nas Olaias, por exemplo, onde recentemente se verificaram tiroteios na rua entre residentes, estava, já há um ano, classificado na zona vermelha. (ver lista ao lado)..Fontes não oficiais da PSP indicam como possível motivo para o erro das previsões, o "pouco conhecimento que a polícia tinha da realidade criminal das novas áreas que vieram da GNR". Outra causa que tem sido apontada por analistas é a "demasiada rapidez" com que foi feita a transferência" não permitindo a comunicação atempada das informações criminais..No concelho de Sintra, onde se registaram grande parte das transferências territoriais, houve bairros com elevados índices criminais, como o de S.José, que passaram a contar nas estatísticas desta polícia..O impacto da reorganização, executada no ano passado pelo Ministério da Administração Interna (MAI), começou logo a ter consequências negativas no primeiro semestre do ano. Uma avaliação feita pelo próprio comando de Lisboa, em Outubro de 2008, na qual era comparada a evolução da criminalidade com as novas áreas adicionadas e sem estas, demonstrava um resultado brutal. .As novas zonas praticamente triplicaram o aumento dos crimes violentos. Sem estas, a criminalidade violenta e grave teria subido 6,4%, mas com a reorganização, aumentou 17,3%..A Direcção Nacional da PSP justifica o 'erro' de análise com "fenómenos a jusante da actividade operacional". De acordo com o porta-voz oficial, a reorganização territorial "não foi seguramente a única variável, não controlada pela instituição, que influenciou negativamente a criminalidade verificada em 2008", tendo sido "apenas um dos muitos pressupostos, que influenciaram o objectivo estratégico" desta força de segurança. .A mesma fonte oficial explica que "esse dado, sendo concreto, levou a PSP a ter que adequar o modelo de policiamento para a nova realidade orográfica e populacional e readaptar os objectivos operacionais para 2009 no sentido de atingir eficazmente o objectivo estratégico que no limite, será sempre a diminuição da criminalidade"..A reacção da PSP de Lisboa foi forte no segundo semestre. Embora a Direcção Nacional não tenha mostrado ao DN números que confirmem o efeito do reforço de operações no terreno, a partir de Setembro, a verdade é que conseguiu que o aumento de 17,4% no primeiro semestre, passasse para 4% no final do ano. Uma inversão ainda maior do que aconteceu a nível nacional (ver caixa). .Resta saber até que ponto as previsões optimistas que tinham sido feitas no início não atrasaram a resposta em força.