"Contou-me que andava à procura de um vasilhame para ir buscar gasolina para uma motosserra. Viu umas bilhas no silvado, e, quando estava a puxá-las, encontrou um saco de plástico e uma serapilheira com os explosivos. Ele já trabalhou na construção e percebeu imediatamente o que estava ali e deu o alerta." É desta forma que Vítor Fonseca reproduz a conversa que manteve com o homem que, ontem, encontrou 20 barras de gelamonite (um material explosivo) e diversos detonadores, que estavam num terreno abandonado da Rua Cidade do Fundão, na Covilhã, junto a uma escola..Os explosivos foram imediatamente analisados por uma equipa de inactivação de engenhos explosivos e segurança do subsolo (EIEXSS) da PSP de Castelo Branco, que concluiu que o "material não tinha condições de ser recolhido e transportado em segurança" e decidiu pela sua detonação no próprio local.."Foram efectuados dois rebentamentos controlados, o primeiro às 13.15 e o último às 13.45, não se registando quaisquer danos pessoais ou materiais", é referido em comunicado emitido pela PSP.."Foi um estrondo como não me lembro de ouvir", conta Vítor Fonseca, que considera "muito estranha" a existência daquele material no local.."Passo ali todos os dias e nunca vi nada suspeito. Pode ser de alguma construção, mas o último prédio a ser construído já tem um ano e não me lembro de ouvir qualquer rebentamento. Dá ideia de que foi alguém que escondeu ali aquilo. Estava mesmo no meio das silvas, mas o mais estranho ainda é já terem os detonadores", aponta, recordando que o sítio fica perto de duas escolas. "Felizmente não foi uma criança a encontrá-los. E até calhou bem porque, como era dia de greve, a maioria nem deu pelos rebentamentos", conclui..A Polícia de Segurança Pública já está a tentar apurar a propriedade e proveniência das barras que "estavam em avançado estado de degradação".