PSD e CDS fazem aliança "reformista e moderada"

Luís Montenegro e Nuno Melo fizeram acordo para legislativas e europeias. Reabilitação do Estado Social é um dos objetivos assumidos.
Publicado a
Atualizado a

Os presidentes do PSD e do CDS, Luís Montenegro e Nuno Melo, confirmaram esta quinta-feira que os seus partidos vão fazer uma coligação pré-eleitoral para as legislativas de 10 de março e também para as europeias que se realizam em julho, no seguimento dos compromissos já existentes nas regiões da Madeira e dos Açores, e dos entendimentos locais que se perspetivam para as autárquicas de 2025.

Luís Montenegro apresentou a coligação como "um projeto agregador, moderado e ambicioso", que se destina às pessoas. "É com sentido de responsabilidade que lidero esta frente eleitoral que representa partidos e sociedade civil", escreveu o líder social-democrata no Twitter, garantindo que "a onda da mudança está em crescendo".

A nova Aliança Democrática, que terá de ser aprovada pelos órgãos nacionais dos dois partidos, incluirá "um conjunto de personalidade independentes", acolhendo as ideias do Manifesto por uma Alternativa Reformista e Moderada, divulgado a 15 de dezembro e que foi subscrito por uma centena de figuras, como o ex-ministro das Finanças socialista Daniel Bessa, o gestor António Nogueira Leite, o ex-selecionador nacional de futebol Fernando Santos e o apresentador televisivo Manuel Luís Goucha.

No comunicado que oficializou o acordo, negociado ao longo de duas semanas pelos dois líderes, não é feita referência à distribuição dos lugares de candidatos - sendo certo que o CDS-PP não elegeu deputados nas legislativas de 2022.

Mais claros são os objetivos do acordo. Para a "efetiva mudança política e de políticas", os partidos prometem "muito mais ambição" para atingir "elevados níveis de prosperidade, de crescimento da economia e dos rendimentos e oportunidades para todos os portugueses". E a salvação e reabilitação do Estado Social, ultrapassando o "definhamento em curso", para assegurar "a todos os portugueses a saúde, educação e habitação acessíveis e com qualidade", o que a coligação defende decorrer de uma "coragem reformista que fomente a competitividade das empresas, a qualificação dos portugueses, a inovação e geração de valor acrescentado, o reforço do Portugal empreendedor e exportador e a valorização do mundo rural".

Do ponto de vista das políticas sociais, a mudança defendida envolve uma "forte consciência social baseada na dignidade da pessoa humana, para combater a pobreza, reativar a mobilidade social e valorizar a família". Algo que passa por "retomar a exigência na educação" e a confiança nas instituições sociais do terceiro setor.

Procurando vincar diferenças em relação aos executivos de António Costa, o PSD e o CDS-PP prometem uma governação que "tenha elevada exigência ética, integridade, responsabilidade política, respeito pela separação de poderes e pelas instituições, e empenho efetivo no combate à corrupção e tráfico de influências". E ainda uma mudança "moderada, europeísta, atlantista e lusófona, defensora da liberdade, da igualdade de oportunidades, da segurança dos cidadãos e da defesa do país, respeitadora da propriedade privada, que aposte no desenvolvimento sustentável e valorize a cultura, os valores, a língua e as comunidades portuguesas".

Diário de Notícias
www.dn.pt