PS saúda Lula; PSD deseja mobilização cívica e paz democrática na 2.ª volta
O PS saudou esta segunda-feira a vitória do ex-Presidente Lula da Silva na primeira volta das eleições presidenciais brasileiras, considerando que o seu triunfo representará na segunda volta a vitória dos valores progressistas e democráticos contra derivas autoritárias.
Numa nota enviada à agência Lusa, o PS sustenta que, no domingo, "os brasileiros deram um sinal expressivo e importante para o seu futuro".
"O PS saúda Lula da Silva, o candidato mais votado na primeira volta das eleições presidenciais, e formula votos para que o Brasil rejeite as derivas autoritárias e antidemocráticas. A vitória de Lula será a vitória dos valores progressistas e democráticos", salienta-se na mesma nota.
O presidente do PSD saudou hoje o povo brasileiro pela participação nas eleições de domingo e desejou que a segunda volta "decorra em clima de mobilização cívica e paz democrática", sem se referir diretamente aos resultados.
"Saúdo o povo brasileiro, e em particular a comunidade residente em Portugal, pela sua participação nas eleições de ontem. Nesta fase, desejo que a 2.ª volta decorra em clima de mobilização cívica e paz democrática", escreveu Luís Montenegro, numa publicação na rede social Twitter.
A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, saudou esta segunda-feira a vitória do ex-Presidente Lula da Silva na primeira volta das eleições presidenciais no Brasil e disse estar "muito convencida" de que vai ganhar também na segunda.
"Lula ganhou as eleições, Bolsonaro perdeu. Vamos agora a um segundo turno e eu estou em crer que Bolsonaro, sim, será derrotado e a sua política desastrosa de violência, genocida até, e que Lula possa ganhar as eleições neste segundo turno, como já ganhou no primeiro", afirmou.
Catarina Martins, que falava à margem de uma visita a uma casa de apoio à população sem-abrigo, no Funchal, realçou que Jair Bolsonaro é um "presidente genocida", afirmando que "perdeu no primeiro turno e vai perder no segundo".
"Nestes anos de presidência Bolsonaro, nós tivemos um aumento enorme da violência no Brasil, todos os tipos de violência, tivemos um desmatamento na Amazónia que põe a vida de todo o planeta em causa, tivermos uma verdadeira ação genocida, retirando às pessoas até a possibilidade de terem oxigénio, quando estivemos com covid-19", disse Catarina Martins.
A coordenadora do Bloco de Esquerda sublinhou o facto de Jair Bolsonaro ter obtido "muito menos votos" do que na anterior eleição, quando foi eleito Presidente do Brasil, vincando que Lula da Silva "vai vencer" a segunda volta.
"Eu percebo que, quando nós vemos tudo o que Bolsonaro representa, gostássemos que as coisas fossem todas muito diferentes [em termos de percentagens], mas na verdade Bolsonaro perdeu votos e Lula ganhou o primeiro turno das eleições", disse.
"Com as dificuldades óbvias desta disputa, estou muito convencida que Lula vai vencer o segundo turno das eleições e que Bolsonaro será derrotado", reforçou.
O PCP considerou hoje que a vitória de Lula da Silva na primeira volta das eleições presidenciais do Brasil demonstra que os brasileiros "querem uma mudança" e aponta para um reequilíbrio na geopolítica internacional.
Contactada pela Lusa, a eurodeputada comunista Sandra Pereira, que acompanhou as eleições a partir de São Paulo, disse que houve uma "vitória clara da coligação do PT e dos outros nove partidos, que não só tem quase os 50% para passar à primeira volta, como tem quase mais 5% do que o seu adversário, Jair Bolsonaro".
"Há aqui um sinal de os brasileiros querem uma mudança e aproveitaram esta oportunidade para afirmar a vontade de retomar um caminho de progresso social, de desenvolvimento e progresso [...] que foi interrompido em 2016 com aquele escabroso golpe para destituir a Presidente Dilma Rousseff", completou.
Uma vitória de Lula da Silva na segunda volta, que vai decorrer no dia 30 de outubro, "é difícil" de antecipar, mas Sandra Pereira advogou que os brasileiros têm de votar tendo em conta os últimos quatro anos, sob a governação de Jair Bolsonaro.
A confirmação de uma viragem à esquerda do Brasil vai estar, na opinião da eurodeputada, em linha com o que aconteceu em outros países da América Latina, como é caso do Chile, Colômbia e Honduras.
Também haveria um novo "equilíbrio na geopolítica da América Latina" e "outra ordem internacional mais justa, equilibrada, sem imposição de domínios hegemónicos", numa altura em que vários países estão a virar à direita, inclusive à extrema-direita.
A acompanhar as eleições 'in loco', Sandra Pereira referiu que viu "muitos brasileiros a votar pacificamente em São Paulo" e "com maturidade, contrastando com a expectativa que havia de insurreição ou de atos de violência em grande escala em função do resultado.
A porta-voz do PAN considerou hoje que uma eventual reeleição de Jair Bolsonaro como Presidente do Brasil na segunda volta das eleições "não será positivo" para o país, e espera debate sobre reformas estruturais.
"A reeleição de Bolsonaro temos a consciência de que não será positiva para o Brasil, não obstante também os problemas que existem em torno de Lula da Silva, nomeadamente com os problemas dos processos de que foi alvo por matéria de corrupção. Apesar disso, não deixa de ser de facto uma preocupação verificar que Bolsonaro poderá ser reeleito e de alguma forma continuar a estagnar o Brasil, continuar a retroceder nos direitos humanos, em matéria de igualdade, da comunidade LGBTI, mas também dos povos indígenas", afirmou Inês Sousa Real em declarações à agência Lusa.
A líder do partido Pessoas-Animais-Natureza considerou que "há uma bipartidarização no Brasil que de alguma forma não tem sido positiva para o debate que o Brasil precisava de fazer em tono das reformas estruturais do país, nomeadamente no combate à pobreza, nos compromisso ambientais, em particular a não devastação da floresta amazónica".
"Aquilo que esperamos é que nesta segunda ronda possa existir espaço para debater aquilo que é o futuro do Brasil e do povo brasileiro e menos em ataques pessoais, em também uma agenda populista que temos visto ascender não só no Brasil mas também recentemente com o resultado eleitoral em Itália", defendeu.
Apontando que "o Brasil precisa de um momento de viragem", a deputada única do PAN disse esperar que, "no final do dia, a democracia saia vencedora e que haja a maior estabilidade e que, acima de tudo, haja debate sobre o futuro do Brasil durante estes dias até à segunda volta para decidir quem vai presidir ao Brasil".
Inês Sousa Real assinalou que o PAN não apoiou a candidatura de Lula da Silva, mas advogou que "o futuro do Brasil não passa por Bolsonaro".
"Temos neste momento uma uma grave crise socioeconómica no Brasil, 30 milhões falava-se ontem de pobres no Brasil, estamos a falar de um número muito significativo, a militarização não deixa de ser preocupante, o agronegócio, a devastação da Amazónia, e tudo isso pela mão de Bolsonaro", elencou.

