Protocolo Familiar garante futuro da Casais

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A Empreiteiros Casais, empresa familiar, prevê para este ano uma facturação na ordem dos 100 milhões de euros. Destes, segundo o vice-presidente do Conselho de Administração, José da Silva Fernandes, "cerca de 10% resulta de projectos internacionais". Mas o objectivo é duplicar a facturação do grupo até final 2008, ano em que celebra o 50.º aniversário.

No campo internacional, Angola é um dos principais mercados. Naquele país, o grupo quer atingir a mesma dimensão que tem em Portugal (ver entrevista). Rússia, Bélgica, Alemanha, Casaquistão e Marrocos são outros importantes mercados, com alguns a servirem de porta de entrada para outros. Como Marrocos, que serve de ponte para a expansão para a Argélia. Outra grande aposta são os mercados do Leste europeu. Além-fronteiras, a Casais tem ainda intenção de crescer para a América Latina, tendo o Brasil como primeira prioridade.

De um negócio familiar, surgiu um grupo com um portfólio que vai desde reabilitações e demolições urbanas a obras hidráulicas e às infra-estruturas ferroviárias.

Fundada pelo "mestre" Casais, José Gonçalves da Silva, a Empreiteiros Casais vai já na terceira geração da família a laborar na empresa. Actualmente, são 17 os descendentes directos ali a trabalhar, mais os respectivos cônjuges, num total de trinta. Sem parar para respirar, o grupo prepara o futuro e, através da criação de um Protocolo Familiar, acerta já o caminho para que a quarta geração entre nos trilhos da empresa e o negócio se mantenha na família.

Num grupo em que grande parte dos dirigentes são familiares, é natural que os problemas extravasem o plano meramente laboral. Para evitar estas situações, a Casais estabeleceu um conjunto de regras e valores a prosseguir, sob a forma de protocolo. Segundo o vice-presidente do CA, "o principal objectivo é manter o património empresarial na família". "Queremos perpetuar a empresa na nossa família, embora não se exclua a entrada de outros parceiros no nosso capital", explica ainda aquele administrador do grupo.

Além dos valores estabelecidos no protocolo (ver caixa), ficaram ainda traçadas as regras de salvaguarda para o futuro dos membros das família. Assim, ficou definido que caso exista algum elemento com problemas financeiros, se possível, a empresa irá prestar-lhe auxílio.

Importante também, segundo o documento, é a oportunidade de desenvolvimento de carreiras dos membros do clã. Por isso, numa altura em que alguns dos elementos se começam a preparar para ingressar na universidade, existe um aconselhamento sobre o curso que cada um deve seguir. "Nunca forçamos ninguém a vir para a empresa, mas queremos o melhor para cada um", explica José da Silva Fernandes.

Outra das políticas da Casais é que cada elemento da família esteja sempre informado sobre o que se passa no grupo. Mas pretende que haja um empenhamento de todos os accionistas e colaboradores, sejam eles familiares ou não.

Segundo o vice-presidente do CA da Casais, e aliás como está escrito no protocolo, "é muito importante que se respeitem as ideias dos fundadores e da segunda geração", os grandes responsáveis pelo desenvolvimento do negócio. Uma ideia que só assim permite dar seguimento ao sonho empresarial. "Procuramos estimular as próximas gerações para o gosto de trabalhar na empresa da família", explica José da Silva Fernandes.

Mas não se pense que para subir na hierarquia da empresa é preciso ser membro da família. Ainda recentemente foi promovido a director um trabalhador que não era membro da família. "Era uma pessoa com valor, com provas dadas e que subiu por mérito pessoal", explica José da Silva Fernandes.

Tal como não é seguro que o estatuto familiar seja uma garantia de emprego no grupo. Uma das competências do Conselho de Família é precisamente resolver conflitos resultantes de despedimentos de familiares.

Para o futuro da empresa, a presença dos mais novos, que têm outra visão do mundo, é também importante. "Têm uma maior apetência para as novas tecnologias, por exemplo", justifica António Carlos, director de marketing e de sistemas de informação. Assim,"procuramos sempre aconselhar os mais novos, transmitir-lhe os valores da empresa e prepará -los para assuntos que são inerentes ao grupo", adianta António Carlos. Embora o negócio esteja na família há quase meio século, José da Silva Fernandes não coloca de parte a possibilidade de vir a deixar de estar. Mas, garante, "tudo faremos para que o negócio se mantenha em mãos de familiares". Porém, refere aquele administrador, " existe sempre a possibilidade de entrada de outras empresas no capital do grupo".

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