Protestos contra filme anti-Islão estão a alastar

Dezenas de milhares de muçulmanos saíram hoje à rua em diversas regiões do mundo para protestar contra um filme que denigre o Islão, com um balanço de pelo menos seis mortos e dezenas de feridos.
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O principal objetivo desta nova "sexta-feira da ira" desencadeada após as orações do dia sagrado do Islão, para denunciar um filme de autoria ainda duvidosa e divulgado pela internet, foram as embaixadas dos Estados Unidos em diversos países do Médio Oriente, África e Ásia.

Os incidentes mais graves ocorreram na Tunísia e no Sudão, com um balanço de pelo menos três mortos em Cartum e dois em Tunes, quando o exército e as forças de segurança tentaram impedir ataques às instalações diplomáticas norte-americanas.

Em Cartum, de acordo com um correspondente da AFP, uma dezena de manifestantes penetrou no recinto agitando bandeiras negras islâmicas, enquanto as forças da ordem disparavam granadas de gás lacrimogéneo para tentar dispersar cerca de 10.000 pessoas que se dirigiam para o edifício entoando "Não se toca no Profeta".

Previamente, manifestantes tinham ainda irrompido brevemente nas embaixadas britânica e alemã em Cartum. O Governo de Berlim optou por anunciar o encerramento temporário de várias representações em países islâmicos.

Em Tunes, testemunhas referiram que manifestantes entraram nas instalações dos EUA, arrancaram a bandeira norte-americana e hastearam uma bandeira islâmica, e terão incendiado alguns veículos.

Os confrontos provocaram pelo menos dois mortos e 29 feridos, enquanto uma escola norte-americana foi saqueada e incendiada, segundo a agência TAP. O primeiro-ministro islamita tunisino, Ahmadi Jebali, exprimiu a sua "profunda preocupação" pelos ataques.

Estes protestos já tinham incendiado na terça-feira as ruas no Egito e na Líbia, com os incidentes mais graves a ocorrerem em Benghazi, quando um ataque armado ao consulado dos EUA provocou a morte de quatro norte-americanos, incluindo o embaixador, e agentes de segurança líbios.

O papa Bento XVI, que hoje iniciou uma visita ao Líbano, apelou a judeus, muçulmanos e cristãos para "erradicarem" o fundamentalismo, enquanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, qualificava o filme de "repugnante" e apelava "à calma e à razão".

Antes, na cidade libanesa de Tripoli (norte), um manifestante foi morto pela polícia durante confrontos entre islamitas e a polícia após o incêndio de um restaurante da cadeia norte-americana KFC.

Na capital do Iémen, onde quatro pessoas foram mortas na quinta-feira durante os tumultos, a polícia disparou para o ar e utilizou canhões de água para dispersar uma concentração a cerca de 500 metros da embaixada dos EUA. O Pentágono decidiu enviar hoje uma equipa de fuzileiros para proteger a embaixada.

No Egito, o Presidente islamita Mohamed Morsi condenou o filme e denunciou as violências, enquanto a Irmandade Muçulmana retirava o seu apelo para protestos em todo o país. No entanto, e pelo terceiro dia consecutivo, centenas de manifestantes continuavam a enfrentar a polícia junto à embaixada norte-americana.

Ainda no Egito, um grupo de beduínos atacou um campo da força multinacional no Sinai, provocando três feridos.

Na Nigéria, soldados dispararam balas reais para o ar frente a uma mesquita na cidade de Jos (centro), para dispersar uma multidão que planeava protestar contra o filme considerado insultuoso para o Islão, enquanto, no Quénia, centenas de muçulmanos também participaram em Mombaça numa manifestação pacífica.

Na Argélia, Bangladesh, Paquistão, Índia, Indonésia ou nos territórios palestinianos também ocorreram hoje protestos anti-EUA, com o consulado norte-americano em Madras (sudeste da Índia) a ser alvo de um ataque por manifestantes muçulmanos.

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