"O projeto continua e a partir daqui não queremos focar o nosso objetivo no número de árvores que podemos plantar. Queremos focar o nosso indicador na área, nos hectares, que podemos intervencionar porque há muitas áreas onde não precisamos de plantar árvores porque há regeneração natural. Se fizermos uma boa gestão dessas áreas teremos pequenos bosques nativos a crescer", disse à agência Lusa a coordenadora do projeto, Marta Pinto..As intervenções nos territórios passam por retirada de eucalipto, bem como de espécies invasoras, somando-se gestão de matos de forma a permitir o crescimento de árvores e gerar equilíbrio..Marta Pinto, que falava à Lusa no dia em que a AMP lança a publicação "Oito anos e 100.000 Árvores Nativas Depois" apontou que o próximo passo é trabalhar com os gabinetes técnicos florestais e com os especialistas da área e revelou que já estão identificados e a aguardar intervenção 40 hectares de terreno.."Mas isto não significa que não continuemos a plantar as árvores onde forem precisas", disse a coordenadora do Grupo de Estudos Ambientais da Católica no Porto, instituição que também promove este projeto em parceria com a AMP, Marta Pinto..O FUTURO começou há oito anos, foram trabalhados 174 hectares e plantadas 106.000 árvores com a participação de 16.000 voluntários que ofereceram ao projeto 55.000 horas de trabalho voluntário. ."E por cada hora de trabalho voluntário, temos equipas de profissionais que acrescentam mais três horas de trabalho. Neste projeto a participação dos cidadãos é fundamental, mas o projeto não vive sem nunca poderá viver sem a participação das entidades com competência nesta matéria", disse Marta Ponto, enumerando os Municípios, o Instituto de Conservação da Natureza, bem como as associações de proprietários florestais..Quanto a benefícios económicos que estas árvores vão trazer para a região, segundo Marta Pinto, "só em captação de carbono, estas árvores vão captar 10.000 toneladas de carbono por ano e no que se refere à remoção de poluentes atmosféricos, as árvores vão remover anualmente 55.000 toneladas".."Este é um serviço que as árvores estão a oferecer à população de forma gratuita e tem um valor económico de cerca de um milhão e meio de euros por ano. É preciso começarmos a olhar para as nossas árvores não como aquele elemento apenas decorativo que nos incomoda, mas como biotecnologia de ponta que presta serviços quer no meio urbano, quer no meio rural", concluiu a responsável..O projeto FUTURO abrangia até aqui os 17 Municípios da Área Metropolitana do Porto, tendo sido assinado hoje um protocolo com as Águas do Douro e Paiva com vista ao prolongamento da área de abrangência do programa.