Depois de a autoridade italiana de protecção de dados pessoais proibir a divulgação de notícias da vida privada na passada semana, Luísa Jeremias afirma que "a medida não faria qualquer sentido em Portugal, sem tradição na indústria de paparazzi". Fabrizio Corona chocou a Itália ao ser detido por chantagear figuras públicas - entre elas a filha de Silvio Berlusconi, Barbara, e o porta-voz do Governo, Silvio Sircana. "São escalas distintas de actuação", resume a directora editorial das revistas TV 7 Dias, Nova Gente e Focus..Contrariamente às realidades italiana, francesa, alemã, inglesa ou espanhola, "somos um país de amadores ao nível de fotógrafos e celebridades". Tudo não passa, para já, de "uma primeira experiência cheia de problemas, ainda sem mercado montado ou grandes vedetas", garante ao DN a responsável pelas publicações do grupo Impala. Por isso, e porque vê o modo como a Itália "evoluiu e leva um avanço de décadas", não tem dúvidas em dizer que "é impossível fazer comparações"..A mesma posição é assumida pelo director adjunto da TV Guia, Nuno Farinha: "Estamos a viver a etapa zero na descoberta dos paparazzi. Esta ainda é a fase inicial, light", opina. Sem omitir que os paparazzi tendem a aumentar aos poucos, o responsável não vê, contudo, "nada comparável" a outros países. Maria Júlia Santos, directora da revista Flash (também do grupo Cofina), concorda que "o meio é demasiado pequeno" para que se possam equiparar realidades, apesar de reconhecer a existência de repórteres fotográficos que vão fazendo fotos paparazzi. "É preferível aguardar com bom senso a antecipar qualquer controlo de legislação no País", aconselha Farinha. .Em França, o paparazzo mais contestado foi o que perseguiu a princesa Diana e Dodi al-Fayed, potenciando o desastre que vitimou o casal. Em Jerusalém, a polícia deteve os guarda-costas de Leonardo DiCaprio por agredirem fotógrafos. Kate Moss chama aos paparazzi "doentes mentais". A brasileira Daniella Cicarelli só há pouco tempo pediu desculpa aos internautas e viu o seu vídeo, filmado sem consentimento, ser retirado do YouTube, acabando com um longo conflito que chegou a bloquear o site do Google. .Em Portugal, a figura do paparazzo "não existe nos moldes dos paparazzi estrangeiros", constata Luísa Jeremias, resumindo a opinião dos responsáveis das revistas de social. Um fotógrafo da Caras acrescenta que os famosos com uma imagem pública a defender devem, no entanto, "ter sempre alguns cuidados"..Poucos e não profissionais. No átrio do aeroporto, três actrizes preparam-se para partir rumo a uma semana de trabalho no estrangeiro. São discretas. Nenhuma delas pensa que dez minutos de desatenção são quanto basta para um homem surgir e fazer uma série de disparos que lhes rouba a imagem.."O tipo está em todas, passa a vida no aeroporto e é dos que arriscam tudo. Se há paparazzi no País, o Talibã é um deles", conta ao DN um fotógrafo que pede o anonimato. Fica alerta dias inteiros, pronto para sair mal os informadores lhe dêem a dica. Chegou a abandonar a máquina e a sair só com o rolo para não perder o trabalho. "Ao nível dele, são poucos os paparazzi a trabalhar no País." E, desses poucos, quase todos são freelancers e não profissionais. ."Só me meti nisto por dinheiro, acima de tudo sou jornalista", assume um paparazzo ao abrigo do anonimato. "Ficamos uma pilha de nervos, a imaginar se vamos ser apanhados e qual será a reacção do alvo", apoia outro. Apesar do desconforto e do medo, ambos garantem, porém, que se está "ainda muito longe da loucura de outros países".