O programa de Matemática para o ensino básico vai ser revisto. A divulgação de um documento de trabalho surge numa altura em que a única avaliação nacional deste nível de ensino revela graves dificuldades na aprendizagem da disciplina, com 73% dos alunos do 9.º ano a chumbarem no exame deste ano. O programa reajustado tem em particular atenção as deficiências reveladas pelos estudantes portugueses em provas internacionais. Deficiências relacionadas com a resolução de problemas e raciocínio matemático..A estatística, logo no primeiro ciclo, assim como a álgebra, são as algumas das reformulações propostas. O documento sugere também a introdução de uma nova vertente na disciplina: as chamadas capacidades transversais, onde se inclui, para além do raciocínio e da resolução de problemas, a comunicação matemática. Esta última competência implica resolver também problemas de compreensão dos alunos portugueses que resultam da falta de domínio da linguagem simbólica própria desta disciplina. .O trabalho de revisão foi encomendado pelo Ministério da Educação (ME) em Setembro de 2006 a João Pedro da Ponte, da Faculdades de Ciências da Universidade de Lisboa, e Lurdes Serrazina, da Escola Superior de Educação, que convidaram mais sete especialistas. O documento está agora disponível para discussão, até 20 de Setembro. Caberá então ao ME aprovar um novo programa, de acordo com os contributos, e implementá-lo nas escolas..João Pedro da Ponte garante que não será apenas esta medida que vai resolver as deficiência dos alunos portugueses a Matemática. "É uma peça importante, mas tem ser integrada com a formação de professores, a produção de novos materiais e um trabalho consistente nas escolas". A necessidade de uma intervenção neste domínio, explica ainda, surgiu do facto dos actuais programas datarem de 1990 e 1991 e dos seus resultados "não terem sido brilhantes". Um dos problemas, aponta, é a desarticulação dos ciclos e esse foi um dos aspectos que a equipa procurou reforçar. "As finalidades do anterior programa tinham uma descrição muito datada e nós introduzimos mudanças muito substanciais nos objectivos", refere ainda Pedro da Ponte..Há dois problemas a justificar o fraco desempenho dos alunos a Matemática: não compreendem os conceitos e não desenvolvem raciocínios nem resolvem problemas. "É por aí que o novo programa vai insistir", explica, até porque foram essas as competências que o PISA (avaliação internacional promovida pela OCDE) demonstrou estarem em falta. Um exame que demonstrou ainda que "na destreza de cálculo, os alunos portugueses estão na média internacional" e, por isso, o nova orientação para as aprendizagens da matemática quer "valorizar as dimensões" em falta, mas sem descurar o cálculo. Para o coordenador do trabalho de revisão, "este programa é francamente mais coerente e apresenta de forma mais clara as finalidades e as orientações metodológicas". |