Procura-se guionista para novela 'Portugal'

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Três requisitos obrigatórios: estar habituado a orçamentos curtos, a simplificar enredos embrulhados e ter jeito para reinventar velhas personagens. É este o perfil do guionista desejado.

Dá-se preferência a quem tiver sólidas bases de história, economia e demografia, mas mais que os diplomas valoriza-se a criatividade. A novela em questão, das mais antigas em exibição a nível mundial, já conheceu episódios de sucesso, mas hoje vive numa situação de emergência da qual só sairá se, como no passado, surgirem personagens capazes de mobilizar as audiências.

Porém, nem pensar em recorrer a fórmulas saudosistas. Serão vetadas.

Os conhecimentos de história são essenciais, porque se a novela Portugal se arrasta há séculos deve ser reformada sem se deixar tentar pela tábua rasa. A matriz é para manter e a crise de audiências não significa que não haja material bom e que se deve potenciar. Já as bases em economia exigem-se pois a ação deve ajustar-se à realidade; e também porque os custos de produção não podem exceder os ganhos previstos, com o risco de os próximos episódios serem ainda mais deficitários que os anteriores. Quanto à formação em demografia, é que sem se cuidar do perfil do elenco, em que é notório o envelhecimento porque faltam crianças e ainda há quem pegue nas malas e se vá embora, não é possível imaginar um Portugal sustentável.

Disponibilizar-se-ão a pedido dos candidatos cópias dos guiões anteriores. É também possível encontrar no YouTube episódios recentes. Recomenda-se os que passaram em 1983 por darem alguns ensinamentos. Mas só na Torre do Tombo se pode hoje ter acesso aos capítulos clássicos da novela, grandes êxitos até na América, África e Ásia, apesar de a preto e branco.

O local das filmagens será o mesmo de sempre e espera-se que o guionista o conheça de alto a baixo. Está garantida abundância de figurantes, todos com experiência de Portugal. O guionista terá liberdade - e até obrigação - de procurar captar investimentos no estrangeiro, a começar pela Europa mas sem esquecer a lusofonia e as potências emergentes. Nada deve pôr, contudo, em causa que se trata de uma produção nacional.

Os candidatos devem enviar guiões, sinopses e descrição de personagens para duas moradas de Lisboa, os palácios de Belém e de São Bento, até final do ano. A nova temporada de Portugal começará a ser exibida a partir do verão de 2014.

Aceita-se que haja candidaturas a dois ou até a três. Salário é negociável; em caso algum acima do que ganha o Presidente da República.

Alerta final: apesar de todas as dificuldades previsíveis no regresso da novela aos ecrãs, não se admitirá o atirar de culpas a anteriores guionistas.

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