Pró-russos retiram cerca de 15 000 pessoas de Kherson
Cerca de 15 000 pessoas foram já retiradas da região ucraniana de Kherson, na margem esquerda do rio Dnieper, indicou esta quinta-feira o vice-governador desse território anexado pela Rússia, Kiril Stremusov.
"Já cerca de 15 000 habitantes cumpriram as recomendações das autoridades da região de Kherson e passaram para a margem esquerda da nossa região", escreveu Stremusov na sua conta da rede social Twitter, onde divulgou um vídeo em que se vê uma embarcação com pessoas a atravessar o rio.
O dirigente ucraniano pró-russo agradeceu a confiança dos seus apoiantes e acrescentou: "Recordai-vos de que a vida de cada um de vós é, para nós e para a Rússia, mais importante que qualquer bem material".
"Acreditai em mim, tudo correrá bem. A região de Kherson já foi libertada para sempre do nazismo", sublinhou.
Stremusov indicou que "em breve serão libertadas" as regiões ucranianas de Mykolaiv, Odessa e Dnipropetrovsk, e acrescentou que, para os residentes de Kherson, "será outro país, outra história".
Na quinta-feira da semana passada, 13 de outubro, o governador interino da região de Kherson nomeado por Moscovo, Vladimir Saldo, pediu à população civil da parte desse território que se encontra na margem direita do Dnieper que se dirigisse para a outra margem, perante o avanço das tropas ucranianas.
Esta quarta-feira, quando começou a retirada organizada, Saldo afirmou que, no primeiro dia, mais de 7.000 cidadãos foram transportados em 'ferries' para a margem esquerda do rio Dnieper.
No total, as autoridades pró-russas pretendem retirar entre 50.000 e 60.000 habitantes num prazo de seis dias.
Além disso, já instalaram as estruturas do poder da administração civil e militar fora da capital regional, também do outro lado do rio.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas - mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,7 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje entrou no seu 239.º dia, 6.306 civis mortos e 9.602 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

