Privatizações, recessão e desemprego na mira dos candidatos presidenciais no Brasil

Os eleitores brasileiros elegem em outubro um novo Presidente, que terá o desafio reativar a economia do país, saída da maior recessão da sua história em 2017, mas ainda a viver uma recuperação lenta e altas taxas de desemprego.
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Em 2018, o Produto Interno Bruto (PIB), que quantifica toda a riqueza produzida no país, do Brasil cresceu apenas 0,1% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo trimestre do ano, resultados abaixo do esperado.

Na campanha eleitoral em curso, os principais candidatos ao cargo máximo do poder executivo, Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB) defendem um conjunto de reformas, no entanto, excetuando a defesa de mudanças no sistema de pensões, apresentam soluções diferentes para acelerar o crescimento.

Cortes de gastos e privatizações são a palavra de ordem nos programas e discursos dos candidatos Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e até mesmo a ambientalista Marina Silva, que defendem a adoção de uma agenda liberal.

As eleições presidenciais do Brasil realizam-se em outubro, estando a primeira volta marcada para o dia 07 e a segunda volta no dia 28.

Jair Bolsonaro anunciou que se for eleito irá privatizar todas as empresas públicas, desregulamentar a economia e promover mudanças nos direitos laborais da população para incentivar investimentos privados e combater o desemprego, que afeta mais de 12 milhões de brasileiros.

Marina Silva adotou um agenda liberal e afirma que irá recuperar o excedente primário - resultado positivo de todas as receitas e despesas do Governo, excetuando gastos com pagamento de juros -, manter o controlo da inflação e promover o investimento sustentável sem cortar gastos de programas sociais.

O endividamento público do Brasil, medido pelo défice primário, é um dos temas que mais preocupa economistas e agentes do mercado em análises de longo prazo sobre a recuperação da economia brasileira.

O país fecha as contas públicas com défices seguidos desde o ano de 2014.

A previsão oficial do Governo aponta que as contas públicas do Brasil vão encerrar este ano com resultado negativo de 139 mil milhões de reais (29,3 mil milhões de euros).

Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles também apoiam as privatizações, mas apostam num plano reformista menor do que o candidato Jair Bolsonaro, defendendo principalmente a diminuição dos gastos do Governo e reformas fiscais para restaurar a confiança do mercado.

Geraldo Alckmin diz em seu programa de Governo e discursos que retomará obras públicas paradas no Brasil para combater o desemprego formalizando parcerias com a iniciativa privada e que vai simplificar o complexo sistema de impostos a que estão sujeitos os empresários.

Já Ciro Gomes, único candidato de esquerda bem colocado nas pesquisas eleitorais já que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve sua candidatura contestada na Justiça brasileira, defende a retomada do investimento público em infraestrutura e incentivos para a geração de empregos, além de taxação de impostos para a parcela mais rica da população.

Ciro Gomes também anunciou que irá revogar mudanças na legislação laboral aprovadas recentemente no Congresso do país e sua intenção de colocar em prática um plano para ajudar cerca de 63 milhões de brasileiros que tem crédito negativo por dívidas bancárias a pagar seus débitos e estimular a volta do consumo das famílias.

No segundo trimestre deste ano, o consumo das famílias brasileiras cresceu apenas 0,1% segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dado que indica a falta de vitalidade e de confiança da população na economia do país.

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