Principais produtoras no Brasil unem-se para criar distribuidora

Os sócios fundadores das sete maiores produtoras de cinema no Brasil uniram-se para criar um novo modelo de distribuição de filmes no país, a empresa NOSSA Distribuidora.
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O lançamento desta nova empresa - cujo objectivo é facilitar a distribuição do cinema no país e também promover o cinema brasileiro - decorreu na terça-feira à margem do Rio Market, o salão de negócios do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.

A NOSSA Distribuidora foi criada pela união de empresas como Conspiração Filmes, Lereby, Mobz, Morena Filmes, O2 Filmes, Vinny Filmes e Zazen Produções.

"Queremos ser uma distribuidora com um modelo inovador que se insira nesse bom momento que vive o cinema brasileiro e nesse óptimo momento que vive o Brasil", explicou Marco Aurélio Marcondes, da FL&MAM Participações, no evento de lançamento.

Segundo os fundadores da mais recente empresa distribuidora de filme, é possível reduzir os custos de transacção pelos detentores dos direitos patrimoniais na comercialização de seus filmes no mercado brasileiro, assim como também colaborar no aumento da competitividade do cinema brasileiro e das empresas nacionais.

José Padilha, realizador de "Tropa de Elite", sócio fundador da Zazen Produções, explicou como funciona este novo modelo ambicioso de distribuição de filmes no Brasil.

"A NOSSA Distribuidora não vai investir recursos P&A (Prints and Advertising), vai fazer o planeamento de marketing para lançar os filmes, além de estruturar a operação de distribuição, cobrança dos exibidores e o dinheiro vai directo para do produtor", disse.

A partir deste novo modelo, o produtor terá que comparar o potencial do filme se gera lucro e "quanto o filme custa para calcular se vale a pena fazer esse filme ou não", destacou.

O cálculo de receita média líquida de um produtor depois de pagar o imposto é cerca de cinco reais (dois euros) vezes o número de ingressos vendidos no cinema.

"Se o produtor vende um filme com dois milhões de espectadores, o produtor vai ter um lucro de 10 milhões de reais (quatro milhões de euros)", exemplifica Padilha.

Segundo o realizador brasileiro, antes era difícil um produtor lucrar no Brasil neste modelo atual em que o distribuidor cobra uma taxa de distribuição.

Já a recém-criada distribuidora vai apostar num modelo alternativo a partir de uma estrutura económica diferente.

"A NOSSA vai distribuir os filmes sem cobrar taxas de distribuição e sem cobrar o copyright do diretor. O produtor vai correr risco, vai ter mais receita, ter mais controlo de distribuição e vai ter o copyright do filme. Essas três condições apontam para uma sustentabilidade do cinema brasileiro. A nossa ideia é valorizar a produção de conteúdo", ressaltou Padilha.

A NOSSA começa com uma carteira de 50 filmes, dos quais 30 são internacionais.

Para Marco Aurélio Marcondes, a nova distribuidora apenas "sistematiza algo que o mercado já pratica".

Segundo ele, este é um momento em que tem de se "saber surfar com muita coragem, desprendimento, ousadia e atitude".

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