Diz-se que talvez a rainha Sofia, que tem sido um pilar de estabilidade ao lado do actual monarca desde que Juan Carlos ascendeu ao trono espanhol, preferisse que o seu filho Felipe , que é o herdeiro do trono, tivesse escolhido outra mulher..Sofia, tal como alguns sectores mais conservadores dos adeptos monárquicos, terá reagido inicialmente bastante mal ao facto de Letizia ser divorciada, ter trabalhado na televisão pública (TVE) como jornalista e não possuir qualquer título nobiliárquico de origem. Ao contrário dela própria, que descende de várias casas reais europeias, designadamente da grega. Neste domínio, Sofia é equiparável ao próprio Rei Juan Carlos, com quem está casada desde 1962..Mas tanto Letizia , que ostenta o título de princesa das Astúrias desde que casou com o príncipe Felipe , como o conjunto da Casa Real espanhola, incluindo a própria rainha, nunca deram espaço a polémicas públicas..Esta contenção manteve-se sem sofrer a mínima beliscadura mesmo quando, alegadamente, a nora de Sofia se recusou a usar uma tiara durante o noivado em cerimónias oficiais, algo que mandam as boas regras do rígido protocolo vigente em Espanha, ou quando foram publicadas fotos suas em biquíni em diversas revistas cor-de-rosa..Personalidade forte.Letizia tem uma personalidade forte e é conhecida na Casa Real, num misto de ironia e genuína admiração, como "A Chefa". É discreta e beneficia da relação íntima entre a coroa e a imprensa espanhola - os jornalistas espanhóis são meninos bem comportados quando os comparamos com os tablóides ingleses, bem conhecidos pelas manchetes garrafais em que visam os mais diversos membros da família real. Sem exceptuar a própria Rainha Isabel II..A princesa Letizia não está debaixo do mesmo foco mediático que perseguiu Diana de Gales nas mais diversas ocasiões. As duas mulheres, apesar da sua incontestada fotogenia, são incomparáveis. A começar pelo facto de a sociedade espanhola não considerar Letizia um modelo, seja para imitar seja para reprovar. Diana, pelo contrário, não tardou a ser apontada como referência entre os britânicos e mesmo à escala internacional, tornando-se um ícone de uma geração que transcendia largamente as fronteiras da secular monarquia britânica..De uma forma coloquial, pode dizer-se que o povo espanhol respeita a sua futura rainha, mas "não lhe passa muito cartão". Letizia acaba por ser encarada como mais um elemento de uma instituição - a monarquia - que deve funcionar para bem do país. E tem funcionado assim, na opinião da generalidade dos observadores.Letizia não é , como chegou a ser a malograda princesa Diana, uma fonte de entretenimento para as massas, nem uma forma de saciar o voyeurismo colectivo, nem uma personagem de um folhetim trágico..É quase uma mulher como as outras. Mais fotografada, mais procurada, mais comentada, mas no fundo uma cidadã espanhola da sua geração, que já cresceu em democracia. Aliás, ela é a primeira a fazer questão de recusar o estatuto de ícone geracional. Que traz benefícios momentâneos mas costuma acarretar consigo uma espécie de maldição..Diana, recorde-se, morreu tragicamente num acidente de viação num túnel de Paris, há uma década. Tinha apenas 36 anos.