Mario Draghi propõe novo pacto de governo para Itália

Primeiro-ministro italiano diz que reconstrução de um pacto de governo é a única saída para a crise política pela qual Itália está a atravessar.
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O primeiro-ministro italiano Mario Draghi assegurou esta quarta-feira ao Senado que a única saída para a crise política pela qual Itália está a atravessar é chegar a um novo "acordo" entre as partes em disputa.

"O único caminho a seguir, se quisermos ficar juntos, é reconstruir um pacto (de governo) com coragem, abnegação e credibilidade", propôs Draghi depois de perder o apoio de um partido de coligação nacional que presidiu na semana passada.

Durante o seu discurso, que terminará com uma moção de confiança, Draghi alertou que "a Itália não precisa de mostrar confiança aparente, que desaparece quando se trata de tomar medidas difíceis".

O ex-presidente do Banco Central Europeu questionou diretamente os partidos da sua ampla coligação que inclui direita e esquerda: "Vocês, partidos e parlamentares, estão prontos para reconstruir esse pacto? Estão prontos para confirmar esse esforço dos primeiros meses e que depois ficou mais fraco?", questionou.

"A resposta a essa pergunta não deve ser dada a mim, mas a todos os italianos", afirmou. "Itália é forte quando está unida", acrescentou.

Os desafios internos (recuperação económica, inflação e desemprego) e externos (independência energética e guerra na Ucrânia) que a Itália e a União Europeia enfrentam "exigem um governo verdadeiramente forte e unido e um Parlamento que o acompanhe com convicção", sublinhou.

Draghi também enviou uma mensagem aos antissistema, que na semana passada retiraram o apoio a um decreto-lei fundamental, referindo-se à introdução de um salário mínimo, que a direita questiona e é uma das questões que suscita acérrimas discussões. "É importante para reduzir pobreza, mas pode melhorar", frisou, uma frase interpretada como uma abertura.

Na quinta-feira passada, Draghi apresentou a demissão, no meio de uma crise política desencadeada pela recusa do Movimento 5 Estrelas (M5E, anti-sistema), que faz parte da coligação de governo, de participar num voto de confiança ao executivo.

Nesse mesmo dia, o pedido de demissão de Draghi seria rejeitado pelo Presidente de Itália, Sergio Mattarella, que remeteu o assunto para o parlamento.

Nos últimos dias, Draghi, um tecnocrata, recebeu milhares de pedidos para não renunciar, incluindo uma petição assinada por milhares de autarcas e por dirigentes de organizações da sociedade civil, que alegam que o país não pode suportar uma crise política, ainda em fase de luta contra a pandemia de covid-19 e no momento crucial de aplicação do Plano de Recuperação e Resiliência.

À exceção do M5S, todos os outros partidos da coligação - desde o PD aos partidos de direita e da extrema-direita, como o Forza Italia, de Silvio Berlusconi, e a Liga, de Matteo Salvini - tentaram convencer o primeiro-ministro a permanecer no cargo.

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