"O primeiro-ministro Shinzo Abe deseja elevar as relações para um novo nível após um período difícil", disse hoje fonte do governo nipónico, num encontro com jornalistas na embaixada do Japão, em Pequim, sob condição de anonimato..A última visita bilateral de um primeiro-ministro japonês à capital chinesa foi em 2011, na altura Yoshihiko Noda. Em maio deste ano, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, visitou o Japão..Entre aquelas datas, as visitas de alto nível estiveram suspensas, após o Japão nacionalizar as ilhas Senkaku (Diaoyu para os chineses), levando a protestos violentos na China e a uma queda do investimento japonês no país vizinho.."Atravessamos um período difícil", admitiu o funcionário do governo japonês. "Mas temos dado passos graduais na melhoria das relações", acrescentou..Para além do homólogo chinês, Abe deve reunir com o Presidente da China, Xi Jinping..A mesma fonte revelou que os dois lados vão organizar um fórum, em Pequim, para cooperação em terceiros países, com a participação de 500 líderes empresariais japoneses, "à luz da crescente influência internacional da China e da ida de empresas chinesas para o exterior"..No entanto, Tóquio não prevê assumir uma cooperação com Pequim no âmbito da iniciativa chinesa Nova Rota da Seda, um gigantesco projeto de infraestruturas que abrange Europa, Ásia Central, sudeste asiático e África, e que críticos consideram que visa colocar a China no centro da nova ordem mundial, em detrimento dos interesses dos países envolvidos.."Não tenho qualquer informação sobre um possível acordo entre os dois governos que refira 'um cinturão, uma rota' [nome oficial da Nova Rota da Seda]", afirmou a fonte oficial japonesa.."Penso que não estamos dispostos a aceitar o conceito na íntegra", realçou e acrescentou: "Talvez o lado chinês refira a iniciativa, mas da nossa parte a cooperação tem que ser baseada nos padrões internacionais de abertura, transparência, viabilidade económica e sustentabilidade fiscal"..Bancos estatais e outras instituições da China estão a conceder enormes empréstimos para projetos lançados no âmbito daquela iniciativa, que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas ou malhas ferroviárias além-fronteiras..Críticos apontam para um aumento problemático do endividamento, que em alguns casos coloca os países numa situação financeira insustentável.."Nós não queremos uma situação em que o país recetor acumula uma quantidade maciça de dívida e que, no fim, sofra mais do que beneficia", afirmou o funcionário japonês..As trocas comerciais entre o Japão e a China atingiram cerca de 300.000 milhões de dólares, no ano passado. Desde fabricantes de automóveis a processadores de alimentos, os grupos japoneses são importantes atores no mercado chinês..A fonte oficial disse esperar que Washington e Pequim cheguem a um consenso que ponha fim à guerra comercial, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter imposto taxas alfandegárias sobre 250.000 milhões de dólares de importações oriundas da China. Pequim retalhou com taxas sobre bens norte-americanos.."Nós não queremos que as questões comerciais entre a China e os EUA prejudiquem a economia internacional", afirmou.."As cadeias de produção estão estritamente ligadas, as empresas japonesas têm interesses nesta questão", adiantou..No entanto, o responsável frisou que, apesar de Japão e China serem países vizinhos cujas economias estão "profundamente interdependentes", a política externa de Tóquio está alicerçada nas relações com os EUA. ."As relações com os EUA são o pilar das nossas políticas externa e de segurança", disse. .Shinzo Abe inicia quinta-feira uma visita oficial de três dias.