Primeiro fluviário da Europa abre hoje em Mora e traz piranhas ao Alentejo

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Têm um ar ameaçador e metem respeito. O corpo é comprimido, focinho curto e arredondado, com mandíbula saliente. A ligeireza com que trituram um camarão inteiro com casca denuncia dentes afiados. Quem havia de dizer que um dia o Alentejo teria piranhas vermelhas? Mas elas aí estão, entre as maiores atracções do Fluviário de Mora, que hoje é inaugurado, sugerindo um passeio entre a nascente e a foz de um rio, através de um conjunto de aquários, por onde se distribuem 500 exemplares de 72 espécies de peixes e de outros animais. Um tipo de "oceanário" de água doce. É a primeira estrutura do género na Europa e a terceira em todo o mundo.

Tal como viviam no Amazonas, as piranhas-vermelhas estão confortavelmente instaladas numa água que atinge uma temperatura superior aos 30 graus. Na hora da refeição, os camarões são o "prato preferido", alternados com uma ração à base de carne. Esta espécie alcança os 30 centímetros de comprimento, havendo exemplares em Mora que ainda nem chegaram aos dez.

Mas o fluviário apresenta mais peixes exóticos. Há para ver seis peixes-facas, dez pacus-negros e cinco aruanãs-prateados, oriundos da América do Sul, da bacia amazónica e dos lagos africanos, que vão coabitar com as várias espécies portuguesas de água doce, caso dos pimpões, achigãs, tainhas, chanchitos, enguias ou trutas mergulhadas em águas gélidas.

Ali ao lado das piranhas não faltam ainda seis rãs-seta-venenosas, de cores deslumbrantes, sete peixes-gatos, 30 peixes-azuis-cauda-de-lira, três bichir-cinzentos (enguia-dinossauro) e 16 ciclídeos-de-thomas e um trio de ciclídeos-amarelos, estes últimos representantes do lago Malawi. Há ainda dois pares de lontras que já estão habituadas à presença humana e ao regime alimentar implementado.

Projectado há cinco anos, o fluviário é uma obra de valor superior a seis milhões de euros, sendo que, após terem sido capturados, todos os peixes foram sujeitos a um período de quarentena, a fim de serem submetidos a uma desparasitação para evitar possíveis contaminações das outras espécies aquando da sua colocação no sistema de aquários.

O presidente da autarquia, José Sinogas, garante ao DN existir uma grande expectativa em torno deste projecto, que ocupa 2300 metros quadrados em pleno Parque Natural do Gameiro, nas margens da ribeira do Raia, admitindo que as exposições permanentes da fauna e flora possam atrair ao concelho 200 mil visitantes por ano. Para além de estar a apenas cerca de cem quilómetros de Lisboa, o fluviário apostou forte na promoção em Espanha, sem perder de vista as questões pedagógicas e de investigação com a abertura às escolas.

Hoje, o Fluviário de Mora já é candidato ao mais prestigiado Prémio Europeu de Arquitectura, tendo a obra estado cargo da empresa Teixeira Duarte, em parceria com a Promontório Arquitectos. A construção foi financiada, em cerca de 50%, pelo Programa Operacional da Região do Alentejo, tendo outra metade sido paga pela autarquia.

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