Em declarações à agência noticiosa Associated Press (AP), Hashim Thaçi referiu estar disponível para discutir "uma correção" das fronteiras no decurso das complexas negociações entre o Kosovo e a Sérvia, mediadas pela União Europeia (UE). ."A reivindicação da Sérvia sobre uma divisão do Kosovo não terá sucesso. É inaceitável", disse. .Em 1999 a NATO desencadeou bombardeamentos aéreos contra a Sérvia e o Montenegro devido à "guerra do Kosovo" que opunha as forças de Belgrado aos separatistas armados albaneses, numa região com maioria de população albanesa. .Após a obtenção de um estatuto de "protetorado internacional", a liderança albanesa autoproclamou a independência em 2008 e é reconhecida com um país autónomo por mais de 100 país..A Sérvia continua a não reconhecer a independência, para além da Rússia, China, Brasil e de cinco Estados-membros da UE. .As tensões permanecem elevadas após sete anos de negociações, mesmo que a UE continue a insistir que os progressos no processo de adesão ao bloco comunitário dependem da normalização das relações entre Belgrado e Pristina. .Diversos responsáveis sérvios têm sugerido que uma possível solução implicaria uma troca de territórios onde se concentram as minorias sérvia e albanesa -- na região de Mitrovica, norte do Kosovo, e no Vale de Presevo, sul da Sérvia. .Thaçi assinalou que não será concretizada uma divisão, mas admitiu uma "correção de fronteiras" com a possível inclusão do Vale de Presevo no Kosovo..No entanto, evitou referir uma eventual troca territorial com a região de Mitrovica, onde se concentra a maioria dos sérvios kosovares. .O chefe de Estado do Kosovo -- um pequeno país balcânico com um terço da superfície do Alentejo e cerca de 1,9 milhões de habitantes --, mostrou-se ainda convencido, disse ainda que as negociações com a Sérvia, mediadas pela UE e acompanhadas de perto pelos Estados Unidos, deverão implicar em breve um reconhecimento diplomático mútuo. ."Caso seja concretizada uma correção das fronteiras Kosovo-Sérvia e garantido um acordo final sobre o reconhecimento mútuo, se esse acordo for bilateral e equilibrado, e que signifique uma vitória para as duas partes, então ninguém se oporá a ele", assegurou.