Presidente de agência japonesa demite-se após caso de suicídio por excesso de trabalho

O anúncio tem lugar depois de o Ministério do Trabalho ter encaminhado o caso para o Ministério Público
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O presidente da maior agência de publicidade do Japão anunciou que planeia demitir-se, um ano depois de uma funcionária se ter suicidado alegadamente devido a excesso de trabalho.

O anúncio tem lugar depois de o Ministério do Trabalho ter encaminhado o caso para o Ministério Público, após considerar que a empresa e um dos seus executivos violaram a legislação laboral e que, por conseguinte, têm responsabilidade legal na morte da jovem de 24 anos.

As autoridades japonesas consideraram o que sucedeu com Matsuri Takahashi um caso de "karoshi" - morte relacionada com o excesso de trabalho. A jovem chegou a trabalhar até 105 horas extra por mês, apesar dos registos da Dentsu mostrarem um registo dentro do limite legal.

A família denunciou que a empresa forçou a jovem a registar menos horas do que as realmente cumpridas.

A funcionária deixou testemunho sobre as condições de trabalho na sua conta de Twitter, onde detalhava dias de 20 horas diárias.

Dias depois da confirmação deste caso de "karoshi" foi estabelecido que a morte, em 2013, de outro trabalhador de 30 anos da mesma empresa aconteceu também devido ao excesso de trabalho.

Tadashi Ishii, presidente da Dentsu, anunciou ao final do dia de quarta-feira que vai deixar o cargo no próximo mês. "Uma excessiva carga de trabalho nunca deve acontecer", disse aos jornalistas, acrescentando: "Lamento profundamente e sinto-me responsável por isto".

"Vou assumir todas as responsabilidades e demitir-me como presidente na reunião do conselho de administração em janeiro", afirmou.

Ishii disse, no entanto, que a empresa não deve impedir os trabalhadores de fazerem o seu melhor.

"Mas eu lamento profundamente não ter posto um travão [no excesso de trabalho] e não ter definido um certo padrão", sublinhou.

Segundo um estudo do Governo divulgado em outubro, mais de uma em cada cinco empresas japonesas têm funcionários que trabalham tantas horas que correm riscos de morrer. Esse estudo integrou o primeiro 'livro branco' do Japão sobre o fenómeno "karoshi".

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