O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, decidiu esta segunda-feira dissolver o parlamento, na sequência dos confrontos de quinta e sexta-feira entre forças de segurança, que considerou tratar-se de um golpe de Estado..O Presidente da República tomou a decisão após uma reunião do Conselho de Estado e anunciou que vai comunicar, oportunamente, a data de novas eleições legislativas que a lei do país impõe que se realizem em 90 dias, nestas circunstâncias..No entanto, o chefe de Estado admitiu que a Constituição o impede de convocar já eleições, que só podem realizar-se com pelo menos um ano de intervalo. As últimas eleições legislativas decorreram em 04 de junho último..Sissoco Embaló considerou "um golpe de Estado" o facto de a Guarda Nacional ter retirado o ministro das Finanças, Suleimane Seide, e o secretário de Estado do Tesouro, António Monteiro, das celas da Polícia Judiciária, na noite de quinta-feira..Na sequência deste ato, geraram-se confrontos armados entre a Guarda Nacional e o batalhão da Presidência, que foi resolvido com a intervenção da Polícia Militar e que resultou na detenção do comandante da Guarda Nacional, Vitor Tchongo..Para o líder do Parlamento guineense trata-se de um golpe constitucional.."Se isto não é um golpe de Estado constitucional então não sei o que dizer mais", observou Simões Pereira..O líder do parlamento fez estes comentários à saída do hemiciclo guineense depois de os órgãos internos o terem aconselhado a dar por encerrada a sessão plenária que estava a decorrer e que o próprio queria prosseguir..Domingos Simões Pereira, que se dirigia para fora do edifício, disse que considerava a decisão, nas atuais circunstâncias, "uma subversão da Constituição".."A lei fundamental do meu país me diz que a ANP (Assembleia Nacional Popular) não pode ser dissolvida dentro de 12 meses após a sua constituição, independentemente dos argumentos que foram utilizados neste caso, estamos em presença de uma subversão da ordem democrática", disse..O político notou ainda que não se pode falar de realização de eleições conforme a lei, 90 dias após a dissolução do parlamento, porque, frisou, a decisão atual não está dentro do quadro legal.."Todos os guineenses têm a consciência do que está a acontecer e nada vai, de forma alguma, em alinhamento com as normas constitucionais, portanto é esperar para ver", destacou Domingos Simões Pereira..Ainda no hemiciclo, o presidente do parlamento guineense apelara ao povo da Guiné-Bissau para "lutar pelas suas conquistas democráticas" e dissera que aquele órgão iria continuar a funcionar..Na sua declaração aos deputados, na abertura da sessão plenária, o presidente do parlamento, Domingos Simões Pereira, exortou o povo guineense a lutar pelas suas conquistas democráticas e afirmou que a instituição que dirige deve continuar a trabalhar sem olhar para as vontades de outros.."A responsabilidade da Assembleia Nacional Popular (ANP) é de prosseguir na sua responsabilidade histórica nesta legislatura, que não pode depender nem da vontade de uma pessoa nem de um grupo de pessoas, mas conforme o preceituado na lei e que deve ser respeitado por todos", observou Simões Pereira..Ao povo guineense, o líder do parlamento exortou a continuar a luta pelas "conquistas e sem medo", lembrando que os direitos não se dão.."O povo deve se lembrar que uma conquista não se dá, temos de compreender que é o produto de uma luta árdua e determinada", sublinhou..O também líder da coligação Plataforma Aliança Inclusiva (PAI -- Terra Ranka), que venceu as últimas eleições legislativas do passado mês de junho, com 54 dos 102 deputados ao parlamento, notou que o "momento é de se erguer a voz" para a defesa das conquistas do povo.