Pragmatismo e provas dadas

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Henrique Gouveia e Melo deu provas de saber fazer acontecer. O vice-almirante regista uma carreira bem-sucedida atingindo o auge do reconhecimento enquanto coordenador da task force da vacinação contra a covid-19. É por isso natural que muitos o questionem sobre o seu futuro, carreira, ambição política.

Não fechando a porta ao futuro que, como disse na Tertúlia do Diário de Notícias, "a Deus pertence", viu ontem aprovada, em reunião do Conselho de Ministros, a deliberação que propõe ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a sua nomeação como chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA). Esse tem sido o seu sonho. Construiu todo o caminho para lá chegar. E tem ambição e bem. Há muitos complexos em Portugal em relação à palavra "ambição", mas a verdade é que sem ela Portugal nunca teria sido a potência que foi na época das Descobertas nem teria alcançado o mais elevado nível de vacinação do mundo. Ambição precisa-se! E cada vez mais, face ao estado em que está o país depois de ter enfrentado, e estar a enfrentar ainda, o tufão da pandemia.

Ontem "foi aprovada a deliberação que propõe a Sua Excelência o Presidente da República, com parecer favorável do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, após audição do Conselho do Almirantado, a exoneração do Almirante António Maria Mendes Calado do cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada e a nomeação do Vice-almirante Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo como Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), bem como a correspondente promoção ao posto de Almirante", lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

Henrique Gouveia e Melo é um homem pragmático e pode ser o que ele quiser, independentemente das leituras mais à esquerda ou mais à direita que possam vir a ser feitas. E ser chefe do Estado-Maior da Armada é um papel importante e estratégico para uma nação à beira-mar plantada, mas cujo mar não tem sido encarado como ativo crucial para o seu desenvolvimento futuro.

A "revolução" que o vice-almirante tem assumido querer fazer na Marinha, tornando este ramo das Forças Armadas numa espécie de catalisador para novas políticas de valorização do mar como ativo nacional, é conhecida de António Costa e encaixa na perfeição na "ambição" declarada do primeiro-ministro de transformar os oceanos numa "grande causa e missão global".

O plano acabou por ser adiado quase um ano, primeiro por causa da pandemia, que levou Gouveia e Melo a entrar no que designou "guerra" ao vírus, coordenando com sucesso o plano de vacinação contra a covid-19; depois foram os "equívocos" com a exoneração, em setembro passado, do atual CEMA Mendes Calado.

Que se desfaçam os equívocos e que, com pragmatismo, se avance com a decisão que é a melhor para o país. Segunda-feira, pelas 15h00, Gouveia e Melo tomará posse como novo CEMA.

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