Pousadas são caldeirão de culturas

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Vieram dos bairros mais desfavorecidos de França. Juntaram dinheiro para a viagem com a venda de pinturas, trabalhos manuais e a cortar relva. Podiam escolher entre vários destinos de férias, mas preferiam Portugal por ter praia. A escolha foi influenciada por Laura, uma assistente social lusodescendente que lidera o grupo

O alojamento eleito foi a Pousada de Juventude de Lisboa, onde Laura, de 33 anos, contou ao DN, num português quase perfeito, que é "habitual em França fazer-se viagens com crianças desfavorecidas". Já conheceram Belém, Cascais, a Baixa e o Oceanário. As crianças parecem estar a gostar de Lisboa, mas diz envergonhada: "Só o vão admitir quando voltarem à França."

Todos os anos, milhares de mochileiros aproveitam os preços baixos e as boas condições das pousadas portuguesas para passar a noite: no ano passado registaram- -se 464 mil dormidas das quais 26% foram feitas por turistas estrangeiros e destes metade tinha idade superior a 30 anos. Sim, porque apesar do nome, as pousadas de Juventude podem ser frequentadas por todos. "É para qualquer idade, mas os portadores de cartão jovem têm uma discriminação positiva e é-lhes descontado 15%", conta Mário Magalhães, gerente da Pousada de Lisboa.

Da Colômbia chega um exemplo de que as pousadas não escolhem idade: Sólis, professora de 40 anos, está em Portugal com o marido Javier pelo turismo e por devoção: "Viemos fazer o caminho de Santiago a partir de Ponte de Lima, mas antes quisemos conhecer Lisboa", diz. O nosso país foi recomendado por amigos e as expectativas não foram defraudadas. Para a professora, os portugueses são muito "quentes e prestáveis" e a cidade é "lindíssima", mas foi algo tão singelo como o pão português que motivou a admiração da sul- -americana: "É delicioso!"

Tom, fotógrafo de 23 anos, natural de Leeds, na Inglaterra, vagueava pelo albergue enquanto "fazia tempo" para ir ao festival Optimus Alive! e terminar a sua viagem musical: "Há três semanas que ando a conhecer vários países pelos seus festivais", conta. Saiu da sua cidade natal e viajou para a Irlanda. Seguiu-se a Polónia e Alemanha. A viagem termina em Lisboa, onde viu ontem a sua banda favorita: Metallica.

Quem também veio de Inglaterra foi a brasileira Daniela, professora de Literatura, para conhecer França, Espanha e Portugal depois de seis meses em Manchester. "Queria conhecer Mafra, porque li muito sobre ela e queria ir à Torre do Tombo ver os documentos", diz. Mafra achou "linda", mas a Torre do Tombo não correspondeu: "Pensei que era mais antigo e com mais livros." Em três dias no nosso país teve tempo de ir a Belém, à Feira da Ladra e de se perder em Sintra: "Fui ao castelo dos Mouros e no caminho de volta não sabia como encontrar o autocarro", recorda rindo-se da situação.

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