Pousadas de Portugal 'congelam' planos de internacionalização

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O grupo Pestana congelou o plano de internacionalização das Pousadas de Portugal. Em causa está o facto de o Governo ainda não ter dado resposta ao projecto de alteração do prazo do contrato de gestão da rede de pousadas de 15 para 25 anos. Há dois anos que o grupo de Dionísio Pestana apresentou a proposta. Para a extensão do contrato, o grupo propõe-se acrescentar um mínimo de 500 novos quartos à rede hoteleira, dos quais 200 no mercado nacional e entre 200 a 300 fora de Portugal. José Roquette, presidente do Grupo Pousadas de Portugal (GPP), disse ontem, em conferência de imprensa para apresentação do balanço do terceiro ano de gestão das pousadas, que o grupo está a ficar "ansioso" e aguarda uma resposta do Executivo até final do ano.

O processo arrasta-se desde o anterior Governo, devido à falta de entendimento entre os ministros da Economia e das Finanças. Enquanto não for dada uma resposta, o GPP garante que "não vai avançar com o plano de internacionalização". José Roquette disse que as negociações para instalar uma unidade em Marrocos estiveram muito avançadas, mas o grupo acabou por desistir. O prolongamento do contrato tem por objectivo a rentabilidade dos projectos. O responsável das Pousadas de Portugal considera que "15 anos é um prazo muito curto para rentabilizar qualquer projecto hoteleiro". Nos termos do contrato assinado há três anos, ficou acordado com o Governo da altura que o prazo do contrato de concessão seria objecto de renegociação posteriormente.

Com o congelamento do plano de expansão no exterior, a Enatur perde receitas porque a rede não aumenta, apesar de "existirem potenciais projectos que permitam estabelecer a criação de 200 a 300 novos quartos num espaço de cinco anos". O Convento do Carmo, na Baía, Brasil, tornou-se na primeira Pousada a abrir fora de Portugal, representando um investimento de sete milhões de euros e a criação de 79 quartos.

Os planos do grupo desde que assumiu a gestão das Pousadas, no âmbito da privatização da Enatur, é de investir 75 milhões de euros até finais de 2009, dos quais 40 milhões já estão realizados. Para além das unidades que já inaugurou e as que vai abrir, o grupo prevê criar mais 125 novos quartos, através da concretização de projectos de redimensionamento de algumas unidades. As Pousadas têm ainda em curso a expansão da rede com recurso ao franchising. Os projectos para transformar em pousada o edifício da Vista Alegre, Aveiro, e abrir uma unidade em Coimbra, estão parados. O GPP encerrou 2005 com resultados operacionais de 2,9 milhões de euros e receitas de 33,6 milhões.

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